Quarto dia da COP30 em Belém tem calor intenso, manifestações tranquilas e debates
Ministras Margareth Menezes e Marina Silva participam de discussões no Parque da Cidade

Por Felipe Corona – enviado especial TVC Amazônia
Belém (PA) – A manhã desta quinta-feira (13) começou movimentada no Parque da Cidade, em Belém, onde ocorre a COP30. Policiais da Força Nacional reforçaram a entrada da Zona Azul (Blue Zone) após a expectativa de novos protestos de grupos indígenas, semelhante ao ato ocorrido na última terça-feira (11).
Apesar da mobilização, apenas cerca de 30 manifestantes se reuniram no local, pedindo mais investimentos para ações de adaptação climática, com foco na distribuição equitativa de recursos para comunidades vulneráveis.

Calor e filas na Zona Verde
Enquanto isso, na entrada da Zona Verde (Green Zone), o forte calor se tornou protagonista. Temperaturas acima dos 32°C, segundo medições feitas nos celulares dos participantes, provocaram desconforto e longas filas sob o sol para acessar o espaço aberto ao público.
Visitantes buscaram sombra sob árvores, improvisaram leques com crachás e usaram garrafas de água para aliviar o calor. Entre reclamações e conversas, o clima era de expectativa, com muitos destacando que o calor extremo reforçava, na prática, a urgência das discussões climáticas.

Participação das ministras
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou de um painel na Zona Azul, marcando a primeira vez em que o setor cultural integra a Agenda de Ação Climática numa COP.
Já Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, esteve em uma reunião com representantes ambientais de países amazônicos na mesma área. Ela defendeu o fortalecimento da cooperação regional para enfrentar “emissões de CO₂ decorrentes do desmatamento, do uso de carvão e de petróleo”.

Marina reiterou a proposta brasileira de um compromisso global pelo fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento e afirmou estar articulando para que a COP30 produza avanços concretos até o encerramento.
Vozes dos povos tradicionais
Representantes de religiões de matriz africana e comunidades tradicionais reivindicaram maior espaço nos debates da conferência.
“É preciso que a Zona Verde seja valorizada, porque é aqui que o povo está”, afirmou Mãe Cris de Logun-edé, do terreiro Hunkpamé de Aho Nuga, de Ananindeua (PA), durante a mesa Justiça Climática e Racismo Ambiental, realizada no pavilhão Círculo dos Povos. Ela pediu que todas as manifestações sejam consideradas pelas negociações da COP.

Mãe Juci D’Oya, da ilha de Cotijuba, relatou episódios de violência contra povos de matriz africana, criticou o corte de árvores para as estruturas da conferência e denunciou racismo ao tentar acessar a Zona Azul.
“Me impediram de entrar porque acharam que eu faria uma apresentação só por estar vestida como yalaorixá”, disse. Ela também afirmou que precisou mudar seu terreiro para Cotijuba devido a ameaças e lamentou a derrubada de árvores na área do evento: “Ninguém nos consultou. Tiraram aqueles que não têm voz: as árvores”.
Manifestações e cobranças
Povos indígenas e quilombolas realizaram um ato na Zona Azul, cobrando medidas efetivas de enfrentamento à crise climática e reparações por dívidas históricas com seus territórios.

Com o lema “A gente cobra — Boleto vencido”, a mobilização denunciou a insuficiência de recursos destinados às comunidades tradicionais e defendeu um modelo de financiamento climático mais justo, incluindo a taxação de grandes corporações.



