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Mpox em Rondônia: o que observar na pele e quando procurar atendimento

Com 11 casos confirmados no estado em 2026, especialista explica como diferenciar os sintomas, reduzir riscos e evitar desinformação

Foto: GettyImages/Divulgação

Da assessoria

Com a confirmação de 11 casos de Mpox em Rondônia neste ano, segundo dados atualizados da vigilância estadual, o tema voltou ao radar da população. Em todo o Brasil, são mais de 90 casos confirmados em 2026 até o momento, sem registro de óbitos neste período.

O número é considerado baixo, mas especialistas alertam: vigilância e informação são fundamentais para evitar a propagação. “Não há indício de surto descontrolado. O cenário não é alarmante, mas exige vigilância contínua para identificar precocemente os casos e interromper cadeias de transmissão”, explica a médica infectologista e professora, Rayra Menezes de Almeida.

Mpox ou varicela (catapora)?

Nos primeiros dias, pode haver confusão com outras infecções que também provocam lesões na pele. Entre os diagnósticos diferenciais mais importantes está a varicela (catapora), doença viral comum que também causa lesões vesiculares.

A principal diferença está no padrão das lesões e na evolução do quadro. “Na varicela, é comum que as lesões apareçam em diferentes estágios ao mesmo tempo — algumas manchas, algumas bolhas e outras já em crosta. Já na mpox, as lesões tendem a evoluir de forma mais uniforme, permanecendo no mesmo estágio ao mesmo tempo”, explica dra. Rayra.

A Mpox tem período de incubação de 3 a 21 dias (em média, de 7 a 14 dias). Pode começar com febre, dor de cabeça, dores musculares e ínguas (linfonodos inchados), mas em alguns casos as lesões de pele surgem primeiro.

As manchas evoluem de forma característica:

● Começam como manchas planas

● Tornam-se lesões elevadas

● Evoluem para bolhas

● Podem formar pústulas (com pus)

● Finalizam com crostas

As lesões costumam ser dolorosas, profundas e, muitas vezes, com uma pequena depressão central. Frequentemente começam na região genital ou perianal e podem atingir palmas das mãos e plantas dos pés.

Já a varicela costuma apresentar lesões que aparecem em diferentes estágios ao mesmo tempo. É comum observar manchas, bolhas com líquido e crostas coexistindo na pele, geralmente acompanhadas de coceira intensa. As lesões costumam surgir primeiro no tronco e depois se espalham para outras partes do corpo.

A diferença principal é que, na varicela, as lesões aparecem em fases diferentes ao mesmo tempo e costumam causar bastante coceira. Já na Mpox, as lesões evoluem de forma mais uniforme, passando pelos mesmos estágios juntas — de manchas para bolhas, depois pus e crostas — e costumam ser mais profundas e dolorosas, além de frequentemente haver aumento das ínguas”, esclarece a enfermeira Márcia Kades.

Como ocorre a transmissão

A transmissão da mpox acontece principalmente por contato direto com lesões de pele de uma pessoa infectada. Também pode ocorrer por:

● Contato íntimo e sexual

● Abraços, beijos e toque direto

● Gotículas respiratórias em contato próximo e prolongado

● Compartilhamento de roupas, toalhas e lençóis

● Transmissão da mãe para o bebê

● Contato com animais infectados (pequenos roedores)

Os grupos com maior risco de complicações incluem pessoas imunossuprimidas, crianças pequenas e gestantes.

A enfermeira Márcia Kades, reforça a importância do isolamento precoce. “Mesmo com poucos casos, a identificação rápida e o isolamento domiciliar até a queda total das crostas são medidas essenciais para evitar a disseminação”, orienta.

Quando procurar atendimento?

A recomendação é buscar avaliação médica se, até 21 dias após contato com pessoa infectada, surgirem:

● Febre alta persistente

● Lesões extensas ou muito dolorosas

● Inchaço importante de linfonodos

● Dificuldade para respirar ou engolir

● Sinais de infecção na pele (vermelhidão intensa, secreção)

● Piora do estado geral

Qualquer agravamento ou surgimento de sintomas intensos deve ser avaliado. O diagnóstico precoce reduz complicações e interrompe a transmissão”, destaca Rayra.

Especialistas orientam medidas simples, mas eficazes:

● Evitar contato próximo com pessoas que apresentem lesões suspeitas

● Não compartilhar objetos pessoais

● Higienizar as mãos com frequência

● Cobrir lesões expostas

● Utilizar máscara em caso de sintomas respiratórios

● Manter isolamento domiciliar até a queda das crostas

A informação correta evita pânico e também evita negligência. O equilíbrio entre vigilância e tranquilidade é fundamental neste momento”, pontua Márcia Kades.

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