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PIADISTA: Comunicação de Marcos Rocha faz aposta política; RO depende de recursos federais

Dados oficiais mostram peso decisivo da União nas contas do estado

Foto: Reprodução de tela

Da redação TVC Amazônia*

Uma declaração feita em rede aberta pelo secretário adjunto de Comunicação do Governo de Rondônia, Chico Holanda, repercutiu fortemente ao longo da última semana.

Durante a transmissão ao vivo de um programa exibido por uma emissora estadual, Holanda apostou publicamente R$ 50 mil com o advogado Samuel Costa (Rede) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não será reeleito. Na avaliação do subsecretário, o Brasil estaria em trajetória de colapso econômico em razão da gestão petista.

Com atuação empresarial em diferentes áreas, Chico Holanda é um dos nomes de confiança do governador Marcos Rocha e figura central na definição da estratégia de comunicação institucional do Estado, lembrando que ele não tem nenhuma formação na área de comunicação social.

Na mesma linha do discurso oficial veiculado pelo governo, Holanda sustenta que Rondônia vive um momento de prosperidade, com cenário econômico promissor, baixos índices de desemprego e arrecadação acima da média nacional, conforme propagandas institucionais amplamente divulgadas.

Ao mesmo tempo, o subsecretário descreve o restante do país como “quase falido”, com inflação elevada, desemprego crescente e alta no preço dos alimentos. A narrativa sugere que Rondônia estaria à margem da crise nacional, como se fosse uma exceção dentro da federação.

Números não mentem

Dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), no entanto, mostram um cenário distinto. Rondônia está entre os estados que mais recebem recursos da União em relação ao que arrecadam e repassam ao Governo Federal. Na prática, isso significa que a manutenção de políticas públicas estaduais depende fortemente das transferências federais.

Levantamento do Instituto Real Time, divulgado em 2025, aponta que enquanto São Paulo recebe apenas R$ 10 para cada R$ 100 enviados à União, Rondônia recebe R$ 159 pelo mesmo valor. O número evidencia a participação direta do Governo Federal no orçamento estadual.

Nesse ranking, Rondônia fica atrás apenas de Roraima (R$ 295), Tocantins (R$ 211) e Maranhão (R$ 203), integrando o grupo de estados mais dependentes do apoio financeiro da União.

Resta, portanto, a dúvida sobre como a comunicação oficial do governo estadual concilia o discurso de autossuficiência econômica com os dados que colocam o Governo Federal como peça central no equilíbrio das contas públicas de Rondônia.

Estados que mais recebem da União (a cada R$ 100 enviados):

Roraima: R$ 295
Tocantins: R$ 211
Maranhão: R$ 203
Amapá: R$ 159
Rondônia: R$ 159
Piauí: R$ 156
Acre: R$ 141
Pará: R$ 146
Alagoas: R$ 136
Sergipe: R$ 126
Rio Grande do Norte: R$ 126
Paraíba: R$ 126
Bahia: R$ 104
Pernambuco: R$ 93
Ceará: R$ 91
Goiás: R$ 65
Mato Grosso: R$ 69
Mato Grosso do Sul: R$ 69
Amazonas: R$ 53
Minas Gerais: R$ 44
Distrito Federal: R$ 41
Rio de Janeiro: R$ 41
Espírito Santo: R$ 30
Santa Catarina: R$ 30
Rio Grande do Sul: R$ 19
Paraná: R$ 16
São Paulo: R$ 10

*Com informações do Rondoniaovivo.

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