Incêndio na Zona Azul leva líderes globais a pedir serenidade e cooperação na COP30
Mary Robinson apela por respeito ao Brasil, enquanto observador queniano ressalta ação rápida e união durante a emergência

Por Felipe Corona – enviado especial TVC Amazônia*
Belém (PA) — A ex-presidente da Irlanda e membro da organização internacional The Elders, Mary Robinson, fez um chamado por prudência e responsabilidade após o incêndio que atingiu um dos pavilhões da Zona Azul da COP30 na tarde desta quinta-feira (20).
Em mensagem enviada a grupos de observadores e articuladores climáticos, ela alertou para que eventuais críticas ao Brasil não ampliem as tensões em torno do episódio.
Segundo Robinson, momentos de crise podem intensificar emoções, mas exigem ainda mais equilíbrio.
“Precisamos ser cautelosos nas manifestações públicas e evitar comentários que, mesmo de forma involuntária, ampliem a pressão sobre o país anfitrião. A mídia já está amplificando o caso, e não queremos que esta conferência seja lembrada como um retrato do multilateralismo em colapso”, afirmou.
Ela reforçou que o foco deve permanecer nas negociações climáticas. “O essencial agora é manter a calma e a atenção no objetivo principal: alcançar um desfecho ambicioso e consistente. Há muito a ser feito, e nossa capacidade coletiva segue indispensável”, completou.
Criada por Nelson Mandela em 2007, The Elders reúne líderes mundiais independentes dedicados a promover paz, justiça, direitos humanos e sustentabilidade.
Ação rápida e solidariedade
Logo após o incêndio e a interdição temporária da área, o observador e líder climático queniano Mohamed Adow, vencedor do Climate Breakthrough Award em 2020, publicou no LinkedIn um relato destacando a eficiência das equipes de segurança e o comportamento do público frente à emergência.

Para ele, “uma situação que poderia ter se transformado em desastre foi contida em poucos minutos graças ao trabalho ágil e coordenado das equipes presentes. Elas mantiveram o controle, evitaram o pânico e restabeleceram a normalidade antes que rumores se espalhassem — e isso merece reconhecimento integral”.
Adow também chamou atenção para o espírito de cooperação que testemunhou. “Mesmo no meio da confusão, havia algo evidente: pessoas de todas as partes do mundo, de diferentes culturas, religiões e delegações, cuidando umas das outras. Delegados ampararam desconhecidos, funcionários orientaram a multidão, e ninguém perguntou quem era de qual grupo antes de ajudar. A cooperação deixou de ser conceito e virou reflexo humano”, escreveu.
Ele encerrou o depoimento relacionando a experiência ao desafio global da emergência climática.
“Esse é exatamente o tipo de dedicação que a ação climática exige. A crise do clima não reconhece fronteiras ou atritos diplomáticos. Requer a mesma urgência, solidariedade e senso de propósito demonstrados hoje — idealmente sem fogo envolvido. Se levarmos esse espírito às próximas etapas da COP30, talvez este episódio não marque o evento, mas sim a virada que precisamos”, concluiu.
*Com informações do Amazônia Vox.



