Secretário da Sejus participa de congresso em Bali enquanto fuga expõe falhas no sistema prisional
Viagem internacional de Marcus Rito com alto custo ocorre no mesmo momento em que detentos escapam por túnel em Porto Velho

Da redação TVC Amazônia*
Enquanto o sistema prisional de Rondônia enfrenta mais um episódio digno de investigação, o secretário de Justiça, Marcus Rito, cumpre (com todo o empenho institucional possível) uma “difícil missão” em Bali, na Indonésia.
Justamente na última terça-feira (14), seis detentos conseguiram fugir da Penitenciária Estadual Milton Soares de Carvalho, a conhecida “470”, por meio de um túnel escavado com calma, tempo e, ao que tudo indica, pouca interferência do Estado.
A coincidência de agendas chama atenção: de um lado, a fuga que mobilizou forças de segurança, helicóptero e operação emergencial; de outro, o secretário participando de um congresso internacional sobre sistema prisional. Afinal, nada como discutir teoria enquanto a prática desmorona.
A viagem, claro, não saiu barata. Só em diárias liberadas às vésperas do embarque, foram R$ 28.945,40 em recursos públicos. Um investimento considerável para quem, ao mesmo tempo, vê o sistema sob sua responsabilidade virar cenário de fuga cinematográfica.
Enquanto isso, em Porto Velho, um dos fugitivos foi recapturado, mas outros cinco seguem foragidos. As autoridades agora tentam entender como um túnel foi aberto dentro da unidade sem que ninguém percebesse. Talvez um tema interessante para o próximo congresso internacional.

Os números da viagem também têm seu próprio enredo. Há divergências entre os sistemas oficiais sobre os valores pagos, além de uma curiosa classificação da viagem como “sem ônus”, mesmo com cifras robustas registradas. Já os custos com passagens internacionais e a origem dos recursos permanecem convenientemente fora do radar público.
Somando as diárias recebidas ao longo de 2026, o secretário já ultrapassa os R$ 40 mil, uma rotina de deslocamentos que parece bem mais eficiente do que o monitoramento das unidades prisionais.
No fim das contas, enquanto Rondônia lida com fugas, falhas de vigilância e crises recorrentes, o responsável pela área segue ampliando horizontes… literalmente. Afinal, nada como uma viagem internacional para aliviar o peso de um sistema que insiste em escapar pelos próprios buracos.
*Com informações e fotomontagem (IA) do Rondoniaovivo.



