Belém recebe líderes globais e confirma novos aportes ao Fundo de Florestas Tropicais
Reunião preparatória da COP30 consolida direção política das negociações climáticas; presença do príncipe William e encontro com indígenas marcaram dia

Por Felipe Corona – da redação TVC Amazônia
Lideranças internacionais se encontraram nesta sexta-feira (07), em Belém, para a tradicional foto oficial da Cúpula de Líderes da COP30, que antecede a Conferência do Clima da ONU prevista entre 10 e 21 de novembro. Na imagem central, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece ao lado de chefes de Estado e representantes de diversos países convidados.
O encontro, organizado pelo governo brasileiro, reuniu cerca de 40 autoridades e encerrou suas atividades também nesta sexta. A reunião tem como objetivo orientar politicamente a conferência, preparando o terreno para as negociações mais complexas que ocorrerão durante a COP.
Não há decisões formais ou documento final nesta etapa. Segundo o Itamaraty, o caráter é de alinhamento estratégico. “A esfera deliberativa é a própria COP”, destacou o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente.

Entre os resultados, governos e parceiros internacionais confirmaram novos aportes ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), destinado a incentivar financeiramente países que mantêm sua cobertura florestal.
A Noruega anunciou o maior compromisso, estimado em cerca de US$ 3 bilhões, elevando o montante total de promessas para aproximadamente US$ 5,5 bilhões.
Ao contrário de outras edições — como Glasgow, em 2021, e Dubai, em 2023 —, a reunião de líderes ocorreu antes da abertura oficial da COP. A mudança tem o objetivo de liberar mais espaço para a negociação técnica durante o evento principal.
Alguns países, porém, não enviaram representantes de alto nível. Os Estados Unidos, por exemplo, estiveram ausentes da mesa presidencial.
Visita do príncipe William
Ao longo da tarde, o destaque paralelo ficou por conta do Príncipe de Gales, William, que visitou o Museu Paraense Emílio Goeldi, no centro de Belém, onde conversou com lideranças indígenas de diferentes regiões do país.
Ele percorreu trilhas do parque ecológico e foi conduzido até uma sumaúma centenária, árvore considerada sagrada por diversos povos da Amazônia. Na ocasião, recebeu presentes simbólicos e ouviu relatos sobre desafios territoriais, demandas de proteção ambiental e justiça climática.

Entre os interlocutores estavam Dinamam Tuxá, Angela Kaxuyana, Watakakalu Yawalapiti, Juma Xipaia e Toya Manchineri. No encontro, William manifestou reconhecimento ao papel dos povos originários na preservação da floresta e afirmou que pretende continuar acompanhando o tema de forma próxima.
Encerrando a visita, o príncipe plantou uma muda de cedro-branco, espécie ameaçada de extinção tanto na Amazônia quanto na Mata Atlântica, em gesto simbólico de compromisso com a continuidade da agenda ambiental.



