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Audiência sobre leis da PM na Assembleia descamba para embates, acusações e clima de confronto

Debate sobre promoções e organização da Polícia Militar foi marcado por troca de acusações pessoais, reação da plateia e críticas à condução política dos projetos

Foto: Montagem/Rondoniagora

Da redação TVC Amazônia*

A audiência pública realizada na tarde da sexta-feira (12) Assembleia Legislativa de Rondônia para discutir a Lei de Organização Básica e a Lei de Promoção da Polícia Militar (ambas com minutas concluídas, mas ainda não enviadas ao Parlamento) terminou em meio a tensão, acusações pessoais e forte reação do público presente, lembrando mais um confronto do que um espaço de diálogo institucional.

Sob a condução do deputado estadual Eyder Brasil (PL), o encontro reuniu representantes de entidades de classe, parlamentares e integrantes do comando da PM. Ao final, o presidente da Comissão de Segurança fez um desabafo e pediu providências diante da falta de envolvimento do colegiado.

“Estamos há meses sem se reunir por falta de quórum. Os deputados não comparecem as reuniões. Por favor acionem a comissão de Segurança“, afirmou Eyder Brasil, que interrompeu as falas do deputado Rodrigo Camargo (Republicanos) e do vereador Fernando Silva (Republicanos) quando o debate passou a girar em torno de acusações de cunho pessoal.

Durante as intervenções de Rodrigo Camargo, a plateia nas galerias reagia com aplausos e manifestações.

O deputado criticou diretamente o governador Marcos Rocha e o comandante-geral da Polícia Militar, Régis Braguin, acusando ambos de desconhecerem o conteúdo dos projetos, apesar de posicionamentos em sentido contrário divulgados nas redes oficiais do governo.

Braguin rebateu as críticas e afirmou ter pleno conhecimento das propostas, destacando que os dois projetos integram um conjunto de ações do Estado voltadas à valorização do policial militar. A declaração, no entanto, foi contestada por lideranças das associações de praças presentes na audiência.

Confronto e acusações

Um dos momentos mais tensos ocorreu no embate entre Rodrigo Camargo e o ex-deputado Jesuíno Boabaid, presidente da Assfapom. Jesuíno afirmou que nunca teve acesso a uma tabela com valores de reajuste salarial para os praças, o que foi prontamente contestado por Camargo.

“O senhor aplaudiu o governador Marcos Rocha, quando ajudou a aprovar o aumento do ICMS“, disse o deputado.

Jesuíno respondeu que acreditava que a elevação do ICMS resultaria em recursos para compensar o déficit salarial da categoria, mas afirmou sentir-se “apunhalado” pelo Governo. Ainda assim, reiterou que nunca participou da elaboração ou organização de qualquer tabela salarial.

Denúncias de perseguição

Outro ponto recorrente do debate foi a denúncia de perseguição aos praças da Polícia Militar. Segundo relatos feitos na audiência, militares estariam sendo alvos de IPMs (Inquéritos Policiais Militares) ao se manifestarem publicamente ou nas redes sociais sobre o tema.

O dirigente associativo Valdecir Teixeira afirmou que, ao acompanhar um filiado, acabou ele próprio respondendo a um IPM. Segundo ele, até o governador teria sido arrolado como testemunha no procedimento.

O vereador de Porto Velho, Fernando Silva, também acusou a gestão de Braguin de perseguição e disse que militares estariam impedidos de frequentar seu gabinete. Em uma fala mais dura, afirmou que o comandante-geral “gosta de espancar mulher”, declaração imediatamente interrompida por Eyder Brasil. Braguin reagiu e anunciou que irá interpelar judicialmente o parlamentar.

Ao final, a audiência se encerrou sem encaminhamentos concretos. O encontro acabou servindo, sobretudo, como palco para acusações públicas e recortes para redes sociais, enquanto os projetos de lei seguem aguardando envio e análise na Assembleia Legislativa.

*Com informações do Rondoniagora.

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