OPINIÃO: Aluno protagonista ou propagandista? – Por Maicon Maciel
Nos últimos cinco anos tenho observado uma movimentação político-pedagógica voltada ao incentivo do protagonismo estudantil. Parte-se do pressuposto de que, pela simples condição de ser aluno, este deve ocupar um pódio imaginário, onde todo delírio de ideia — ou até mesmo a ausência dela — é reverenciado ou validado.

O docente, que historicamente vem sofrendo um processo contínuo de desvalorização — e aqui nem me refiro a planos de cargos e salários —, é visto cada vez menos como alguém digno de espelho, admiração ou como um baluarte de sucesso e ascensão.
A falácia do “aluno protagonista” consiste em dar voz e vez a quem, muitas vezes, nunca se deu ao trabalho de escutar seus professores com paciência, compreender suas lições e reconhecer que esse processo é fundamental para a realização pessoal.
Não se pode pular etapas. O docente é e deve continuar sendo um modelo profissional sapiente, que além de instruir, busca aprimoramento constante por meio de formação continuada, seja fomentada por órgãos públicos ou por iniciativa própria.
O aluno propagandista, por sua vez, sorri, decora um discurso e afirma que a educação está evoluindo. Podemos confiar nele? Qualquer sinal de progresso no campo educacional, se existe, deve-se, na realidade, aos verdadeiros protagonistas: os docentes. Se o professor não resgatar seu protagonismo, corre o risco de tornar-se um NPC (non-player character) no próprio jogo.
Como me disse recentemente um profissional da área, “é hora de o professor entrar no jogo e ganhar dinheiro, agora ou nunca”. O docente deve e pode inovar em suas práticas, realizar pesquisas e conquistar espaço no campo intelectual, deixando de ser apenas um repetidor de conteúdo para tornar-se um produtor de conhecimento, ainda que com modestos avanços em sua própria teoria.
E quanto ao aluno? Antes de reivindicar protagonismo, que se procure educar primeiro — e aqui falo da educação que começa em casa, com valores éticos e morais sólidos. Após essa base, estará pronto para trabalhar em grupo e receber a mediação dos conteúdos por parte do professor.
Essa mediação não retira seu protagonismo: ao contrário, oferece o suporte necessário para que, ao final de cada etapa de aprendizado, possa imprimir um toque pessoal em sua própria produção.

*Maicon Maciel é professor da rede pública estadual de ensino.



