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Multidão toma as ruas de Belém na Marcha Global pelo Clima neste sábado (15)

Ato pacífico da Cúpula dos Povos reúne mais de mil organizações com mensagens por justiça climática, transição energética e proteção dos territórios

Foto: Liana Melo/Colabora

Por Felipe Corona – enviado especial TVC Amazônia

Belém (PA) – As ruas da capital paraense foram tomadas, neste sábado (15), pela Marcha Global pelo Clima, que reuniu milhares de participantes em um dos maiores eventos paralelos à COP30.

A mobilização, articulada pela Cúpula dos Povos, foi conduzida por 20 representantes de 20 organizações sociais e estruturada em três grandes blocos: Terras e Território, Solidariedade Internacionalista e Transição Justa e Cidades.

Uma grande Boiúna foi levada para a Marcha Global pelo Clima – (Foto: Ana Cláudia Leocádio/Casa do Jornalismo Socioambiental)

Logo na largada, símbolos da floresta marcaram o tom do ato. Uma enorme cobra amazônica, carregada pelos manifestantes, percorreu todo o trajeto com o lema “Financiamento direto para quem cuida das florestas”. A Boiúna, figura lendária da região, também ganhou vida no percurso, incorporando o imaginário tradicional à defesa da natureza e dos territórios.

Foi realizado funeral dos combustíveiss fósseis – (Foto: Juliana Mori/InfoAmazônia)

O bloco dedicado à transição justa abriu com a performance “Funeral dos Combustíveis Fósseis”, crítica à dependência mundial do petróleo, gás e carvão.

A intervenção ganhou ainda mais visibilidade com a presença de Marina Silva e Sônia Guajajara, duas das principais vozes da pauta socioambiental no país.

Ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) discursaram durante mobilização – (Foto: Juliana Mori/InfoAmazônia)

“Precisamos traçar o caminho para superar a dependência de petróleo e gás”, disse Marina Silva, reforçando a necessidade de uma economia de baixo carbono. A ministra também destacou o papel brasileiro na agenda climática: “Somos o único país com um plano concreto para reduzir o desmatamento (…) Mas ainda não basta; nosso objetivo é desmatamento zero”.

Arraial do Pavulagem, tradicional grupo folclórico de Belém, também marcou presença na manifestação – (Foto: Rudja Santos/Carta Amazônia)

A marcha também exaltou a força da cultura amazônica. O Arraial do Pavulagem, símbolo da tradição popular de Belém, levou alegorias, instrumentos e personagens típicos, colorindo o percurso e mostrando que a luta climática passa, também, pela arte e pela ancestralidade.

Mulheres Camponesas levaram sua mensagem – (Foto: Thayane Guimarães/InfoAmazônia)

Entre os movimentos presentes, o Movimento Nacional de Mulheres Camponesas se destacou ao reivindicar reforma agrária, agroecologia e soberania alimentar. Suas participantes ecoaram a palavra de ordem: “Fim do colonialismo verde e suas falsas soluções”.

Frei Agostinho reforçou a responsabilidade da ordem com a justiça climática e a natureza – (Foto: Rudja Santos/Carta Amazônia)

A Família Franciscana do Brasil marcou presença, e Frei Agostinho lembrou que a participação do grupo reflete um compromisso espiritual e social com justiça climática e solidariedade entre os povos.

Mais de mil organizações compuseram o ato. Com o calor intenso, sindicatos, coletivos e associações distribuíram água durante todo o trajeto, reforçando o caráter colaborativo da mobilização.

Com forte calor, organizadores se mobilizaram para distribuição de água em todo o percurso da marcha – (Foto: Rudja Santos/Carta Amazônia)

A Marcha Global pelo Clima transformou Belém em um grande painel de resistência, espiritualidade, cultura e reivindicação política — um recado firme de que os povos da Amazônia e seus aliados não apenas exigem mudanças, mas apontam caminhos concretos para construí-las.

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