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Greve na educação expõe fragilidade de Marcos Rocha e derruba secretária de comunicação

Setor é um dos mais sensíveis e pode terminar com a demissão da secretária Ana Pacini, acusada de assédio moral e perseguição a servidores

Rosângela Silva enquanto secretária de Comunicação – Foto: Divulgação/Governo de Rondônia

Da redação TVC Amazônia*

A exoneração da secretária de Comunicação, Rosângela Aparecida da Silva, anunciada na terça-feira passada (12), não pode ser vista como um ato isolado. Trata-se de mais um desdobramento da crise que se arrasta na educação rondoniense e que vem corroendo a base política do governador Marcos Rocha, especialmente no Cone Sul do estado.

A queda de Rosângela é reflexo direto da incapacidade do governo em estabelecer um diálogo transparente com a sociedade. Por semanas, prefeitos, professores, sindicatos e a própria população cobraram explicações sobre a condução da greve e as medidas adotadas pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), mas a resposta oficial nunca veio de forma convincente. O resultado foi um vácuo de comunicação que, inevitavelmente, recaiu sobre a secretária.

A pressão ganhou ainda mais força após as críticas públicas do radialista Isak Laurentino, que, em rede local, lembrou gastos com diárias internacionais do governador e de seus assessores em contraste com a ausência de respostas para os problemas da educação.

Isak Laurentino (à esquerda) em conversa com representantes da greve da Educação no Cone Sul do estado – Foto: Divulgação/Sintero

A repercussão do episódio evidenciou não apenas o distanciamento entre governo e sociedade, mas também o desgaste crescente da imagem de Marcos Rocha (União Brasil). Não bastasse isso, ele resolveu nomear no lugar de Rosângela, um fotógrafo/videomaker que viajava com ele para todos os seus destinos internacionais, além de um empresário, dono de papelaria que não tem nenhuma experiência, e muito menos, formação em comunicação.

A crise, contudo, não se resume a um único setor. A secretária de Educação, Ana Pacini, enfrenta acusações graves de assédio moral e perseguição a servidores, o que alimenta a insatisfação da categoria e fragiliza ainda mais a posição do governo.

Não à toa, rumores dão conta de que sua exoneração é apenas questão de tempo, e que a servidora de carreira Débora Raposo já estaria cotada para assumir interinamente a pasta.

As mudanças em curso demonstram uma tentativa do Executivo de recompor sua narrativa em meio ao desgaste político, mas também revelam improviso e falta de planejamento.

Exonerar secretários diante da pressão pode aliviar momentaneamente a cobrança pública, mas não resolve os problemas estruturais da educação, nem recupera a confiança perdida.

O episódio escancara a dificuldade do governo em lidar com crises e evidencia um traço preocupante: em vez de fortalecer o diálogo, aposta-se em trocas pontuais de nomes, sem enfrentar a raiz dos problemas.

Resta saber se a estratégia será suficiente para conter o descontentamento crescente ou se a greve da educação marcará definitivamente um ponto de inflexão na gestão Marcos Rocha.

*Com informações da Folha dos Municípios.

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