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Gasolina sobe “em escala” em Porto Velho e reacende suspeita de cartel nos postos

Aumento simultâneo levanta indignação e reforça dúvidas sobre concorrência no setor de combustíveis na capital

Foto: Freepik

Da redação TVC Amazônia*

A velha e incômoda suspeita de cartelização entre postos de combustíveis em Porto Velho voltou com força ao debate público e, como de costume, não foi por acaso. Bastou uma virada de noite para o dia para que motoristas da capital fossem surpreendidos com um aumento praticamente uniforme no preço da gasolina.

Na prática, o consumidor que foi dormir pagando menos de R$ 7 pelo litro acordou com a maioria dos postos reajustando o valor em cerca de R$ 0,30. Em alguns casos, o preço chegou a impressionantes R$ 7,40. Coincidência? Para muitos, uma daquelas coincidências que se repetem com frequência quase coreografada.

Do lado dos donos de postos, a justificativa aponta para o cenário internacional envolvendo o Irã, com o argumento de risco de desabastecimento e elevação nos preços. A explicação inclui até o curioso detalhe de que o combustível já armazenado (comprado mais barato) aparentemente também “sentiu” os efeitos da crise global quase instantaneamente.

Sem contar que o Brasil é autossuficiente na extração e refino do petróleo e não importa uma gota do produto dos países do Oriente Médio, especialmente o Irã, segundo maior produtor mundial.

O que mais causa estranheza, porém, é o timing. O reajuste ocorre justamente quando o governo federal anunciou medidas para aliviar custos, como a isenção de tributos sobre combustíveis. Na teoria, o preço deveria ao menos resistir à alta. Na prática, subiu e subiu junto, quase em perfeita harmonia.

O episódio reacende lembranças nada distantes. A Câmara Municipal de Porto Velho já chegou a investigar o setor por meio de uma CPI, cujo relatório final apontou indícios considerados “alarmantes” de cartelização.

O documento, encaminhado ao Ministério Público do Estado de Rondônia, também destacou um padrão curioso: quando os preços caem nas refinarias, o repasse ao consumidor costuma ser tímido; quando sobem, a resposta nos postos é rápida e praticamente sincronizada.

A fiscalização cabe a órgãos como o Procon de Rondônia e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, responsáveis por investigar possíveis abusos e práticas anticoncorrenciais.

Enquanto isso, o consumidor segue fazendo o que pode: pagando a conta e assistindo, mais uma vez, a um aumento que parece menos resultado de mercado e mais de um roteiro já conhecido.

*Com informações do Rondoniaovivo.

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