Furto de energia levou à prisão de 139 pessoas em Rondônia no último ano
Prisões ocorreram, em sua maioria, após flagrantes identificados por perícias técnicas da Politec

Da redação TVC Amazônia
O furto e a fraude no consumo de energia elétrica, prática conhecida popularmente como “gato”, resultaram na prisão de 139 pessoas em Rondônia ao longo de 2025. O número representa quase o dobro das detenções registradas em 2024, quando 71 pessoas foram presas pelo mesmo crime.
Mesmo com sanções previstas na legislação, a prática ilegal segue recorrente e preocupa autoridades e a concessionária de energia.
Grande parte das prisões aconteceu em flagrante, após a constatação de irregularidades por peritos da Polícia Técnico-Científica (Politec). Entre as situações identificadas estão autorreligação, desvio de energia, adulteração de medidores e ligações clandestinas. Porto Velho lidera o ranking de ocorrências, com 89 prisões, seguida por Ji-Paraná (20), Cacoal (17) e Ariquemes (13).
Como forma de enfrentamento, a Energisa intensificou as ações de fiscalização. Somente em 2025, mais de 140 mil inspeções técnicas foram realizadas em áreas urbanas e rurais do estado, além da adoção de tecnologias de monitoramento inteligente capazes de detectar padrões atípicos de consumo.
De acordo com Daniel Andrade, gerente do Departamento de Combate a Perdas da Energisa Rondônia, os dados desmontam a ideia de que o furto de energia está associado apenas à baixa renda.
“As irregularidades são encontradas tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais de grande porte. Isso mostra que não se trata de dificuldade de pagamento, mas de uma prática criminosa presente em diferentes classes sociais”, afirma.
Risco à vida e impactos coletivos
Em 2025, dez pessoas morreram em Rondônia em decorrência de acidentes provocados por ligações clandestinas e autorreligação. Além de colocar em perigo quem realiza a intervenção irregular, essas práticas oferecem risco aos moradores do entorno, podendo causar curtos-circuitos, sobrecargas, incêndios e interrupções no fornecimento de energia.
Os prejuízos também atingem diretamente a população. No último ano, cerca de 7 mil consumidores foram afetados por quedas de energia causadas por curtos-circuitos associados a ligações irregulares em diferentes regiões do estado.
“O furto de energia ameaça vidas, reduz a arrecadação pública, eleva os custos operacionais e acaba refletindo no valor da tarifa para quem paga corretamente. A participação da população, com denúncias, é fundamental para coibir esse tipo de crime”, reforça Daniel Andrade.
Como denunciar
Suspeitas de ligações clandestinas podem ser informadas de forma anônima pelos seguintes canais:
Polícia Militar: 190
Central de Atendimento 24h: 0800 647 0120
WhatsApp Gisa: (69) 99358-9673
Aplicativo Energisa On: disponível para Android e iOS
Entenda as penalidades
Os artigos 155 e 177 do Código Penal enquadram o furto e a fraude de energia como crime. As penas podem variar de dois a oito anos de reclusão, além de multa. Em situações agravantes, como o uso de dispositivos eletrônicos para adulterar medidores, a punição pode ser ampliada.



