TRE avança em investigação sobre fraude eleitoral em Porto Velho
Justiça Eleitoral tem até 31 de dezembro de 2025 para concluir julgamento, conforme Meta 4 do CNJ

Da redação TVC Amazônia*
A investigação que apura fraude eleitoral no diretório municipal do PSB em Porto Velho segue em andamento na 6ª Zona Eleitoral, sob responsabilidade do juiz Guilherme Baldan. O processo envolve três candidaturas femininas suspeitas de irregularidades: Luzia Ozório, Rafaela Oliveira e Carol Suarez — todas apontadas por suposto uso indevido de recursos e por participação em um esquema para burlar a lei da cota de gênero nas eleições.
De acordo com os autos, nenhuma das candidatas apresentou defesa. Durante audiência realizada no último dia 16, a Justiça ouviu depoimentos que trouxeram fatos considerados graves pela acusação.
A candidata Carol Suarez, que obteve apenas dois votos, teria contratado o marido como coordenador de campanha e dois parentes — primo e irmão — como cabos eleitorais. Nenhum deles, contudo, votou nela. Carol não compareceu à audiência.
Já Rafaela Oliveira, com oito votos, entrou em contradição ao ser questionada sobre os contratos declarados na prestação de contas. Ela afirmou não se lembrar das contratações, embora tenha apresentado três documentos, um deles em nome de Ludmila Ozório, que atuou como sua coordenadora de campanha. Ludmila é filha de Luzia Ozório, outra investigada, que recebeu sete votos e contratou Ueslei Suarez e Renan Suarez — primos de Carol.
Durante a audiência, Ueslei confessou que não trabalhou na campanha de Luzia e afirmou que sua assinatura foi falsificada. Outro contratado, Hudson, inicialmente admitiu não ter prestado serviços à candidata Rafaela e disse que o contrato também era falso, mas voltou atrás em juízo, demonstrando nervosismo e contradição.
O caso de Alessandro reforçou as suspeitas: em conversa gravada com o advogado da parte investigante, ele afirmou que não trabalhou na campanha e que sua assinatura foi forjada — o diálogo foi autenticado e anexado ao processo.
Além disso, Renan Suarez, que aparece como contratado por Carol, negou ter atuado na campanha, apesar do contrato assinado. O detalhe que chamou atenção dos investigadores é que Renan é casado com Rafaela, outra das candidatas investigadas.
As denúncias apontam para uma organização familiar que teria fraudado a lei da cota de gênero e feito uso irregular de recursos públicos durante o processo eleitoral. No centro das suspeitas está Renê Suarez, tesoureiro do PSB de Porto Velho, apontado como articulador do esquema.
Os fatos estão sendo apurados em dois processos em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia — nº 0600508-18.2024.6.22.0006 e nº 0600510-85.2024.6.22.0006 — e também sob investigação da Polícia Federal.
O TRE-RO tem até 31 de dezembro de 2025 para concluir o julgamento do caso, conforme o prazo estabelecido pela Meta 4 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

*Com informações do Rondoniaovivo.



