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CRESCIMENTO DE CASOS DE HIV: Jovens concentram avanço da Aids em Rondônia

Aumento das infecções entre a população jovem desafia políticas públicas de saúde no estado e em todo o Brasil

Foto: Giorgos Moutafis/Reprodução da internet

Da redação TVC Amazônia*

O crescimento dos casos de HIV entre os jovens brasileiros segue como um dos maiores desafios de saúde pública no país, e Rondônia acompanha essa tendência.

De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, quase metade dos novos diagnósticos de HIV no Brasil ocorre entre pessoas de 15 a 29 anos, com predominância entre homens. No estado, a faixa etária de 20 a 29 anos respondeu por 37,1% dos registros em 2023, evidenciando a maior exposição desse grupo.

Entre 2022 e 2023, Rondônia apresentou aumento de 15,47% no número de casos, taxa que supera em mais de três vezes a média nacional, de 4,5%. Além disso, o levantamento aponta que 53,6% dos novos diagnósticos foram entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e 63,2% entre pessoas negras ou pardas.

Queda nas mortes, mas cenário exige atenção

Apesar da elevação nos diagnósticos, o estado registra redução na mortalidade por Aids. A taxa caiu de 4,8 para 3,9 óbitos por 100 mil habitantes na última década, alcançando o menor índice desde 2013. Em 2023, foram contabilizadas 108 mortes. Segundo especialistas, esse resultado está ligado ao acesso mais rápido ao diagnóstico e ao tratamento gratuito com antirretrovirais pelo SUS.

Avanços em prevenção e acesso à PrEP

A ampliação do uso da PrEP (profilaxia pré-exposição) também tem mostrado resultados positivos. Em Rondônia, o número de usuários saltou de 160 em 2022 para 411 em 2024. No cenário nacional, a cobertura praticamente dobrou, chegando a 109 mil pessoas em 2024.

O estado também tem intensificado campanhas voltadas ao público jovem. Apenas no Carnaval de 2025, foram distribuídos mais de 424 mil preservativos masculinos, 66 mil femininos, 17,8 mil géis lubrificantes, 1.870 autotestes de HIV e 155 mil testes rápidos de ISTs.

Reconhecimento nacional e internacional


Outro ponto de destaque é a eliminação da transmissão vertical (de mãe para filho). Rondônia se tornou referência nacional, com 39 dos 52 municípios certificados. Vilhena recebeu certificação tripla (HIV, sífilis e hepatite B), enquanto Ariquemes, Ji-Paraná e Cacoal passaram por avaliações da OPAS/OMS em 2025, com chances de reconhecimento internacional.

Estigma ainda persiste

Mesmo com avanços, o preconceito continua sendo um obstáculo. Levantamento de 2025 revelou que 52,9% das pessoas vivendo com HIV no Brasil já sofreram algum tipo de discriminação, e 38,8% relataram comentários ofensivos. Esse contexto impacta a adesão ao tratamento e a busca pelos serviços de saúde, especialmente entre jovens.

Perspectivas e próximos passos

Autoridades de saúde destacam que, apesar da redução da mortalidade e do avanço em prevenção e diagnóstico, os jovens permanecem como o grupo mais vulnerável. Especialistas defendem a ampliação da educação sexual nas escolas, maior acesso à PrEP e a manutenção de campanhas permanentes de conscientização, além do enfrentamento ao estigma que ainda cerca a doença.

*Com informações do Rondoniaovivo.

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