Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Verba de mídia do Governo do Estado causa bate-boca entre empresário da comunicação e político de Porto Velho

Empresário quer melhorar repasse do Executivo; já político, queria supostamente aumentar número de sites que recebem dinheiro público: de 37 para 41; Sérgio Gonçalves começa a reaparecer no cenário político e fortalecer seu nome para 2026
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Dia desses, durante encontro na Prefeitura de Porto Velho, um empresário da comunicação local e um político cidade, quase chegaram às vias de fato. O motivo? Dinheiro. A disputa envolve a gorda verba de mídia do Governo do Estado, que recentemente passou para as mãos do videomaker/fotógrafo Renan Fernandes, secretário estadual de Comunicação.
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O encontro, que foi causal, teve a temperatura alta. O político (que segundo a lei, não pode ter nenhuma empresa em seu nome nem de ninguém próximo), queria supostamente cadastrar mais quatro sites à lista de 37 que já recebem mídia institucional. Óbvio que um dia essa prática seria descoberta. Tanto que já está sob adiantada investigação do Ministério Público Estadual.
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E isso pode resultar em cadeia para o próprio político e até para sua família, já que ele resolveu ter a ideia de colocar os tais “sites” de notícias em nome de parentes, de acordo com informações de bastidores. O empresário da comunicação soube da prática indevida do tal político, além de conseguir documentos comprovando a teórica ilegalidade. E resolveu denunciar ao MP-RO.
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Segundo fontes que conversaram com a coluna, Renan Fernandes, além de não autorizar o cadastramento dos quatro novos sites, teria informado diretamente ao político, que ia cortar metade dos repasses dos 37 sites que recebem verba pública. Em ano anterior à campanha eleitoral e com o sonho de virar deputado estadual, o tal político não gostou da medida, já que isso rende por mês a ele, supostamente 400 mil reais.
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E no tal encontro casual na prefeitura, o político resolveu cobrar “explicações” do empresário, que confirmou que fez a denúncia. E foi além: disse que veria a prisão do parlamentar, além de fazer a cobertura do fato. Foi aí que o pau quase “torou”. A turma do deixa disso entrou em cena e separou os brigões. Cada um foi para o seu lado, mas com o sangue quente.
Denúncia
Segundo algumas pessoas informaram a esta coluna, a prática do parlamentar só foi possível pela atuação direta de duas determinadas figuras do alto escalão do governo (um homem e uma mulher). E a permissividade de ambos resultou nesse suposto disparate de 37 sites desconhecidos receberem 400 mil reais por mês.
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Conforme a denúncia repassada ao Ministério Público, o parlamentar, aliado a uma ex-figura bem forte do próprio governo, criaram esses sites para receberem verba pública, além de atacarem adversários políticos e praticarem fogo-amigo: atacar secretários ou diretores do próprio governo que não colaborassem com essa então antiga figura forte de Marcos Rocha.
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E o suposto esquema já dura alguns anos. O parlamentar já teria recebido alguns milhões de reais do Governo do Estado e estava querendo fazer mais caixa para sua campanha de deputado estadual. Com o corte das asas dele, parece que vai ter que usar a grana para despesas extras, caso a denúncia no Ministério Público avance para outras etapas e instituições.

Opinião
Há anos essas verbas institucionais são alvo de reclamações, seja dos pequenos ou grandes veículos de comunicação. Gente que tem pouquíssima audiência recebe mais ou o mesmo do que tem 5 ou 10 vezes mais acessos, estrutura maior e com gastos infinitamente maiores. Eu sempre digo que em Rondônia tem vários sites de “sovaco”.
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Sites de sovaco são aqueles que o camarada leva o notebook para qualquer lugar e farta documentação para conseguir verbas institucionais. Isso já deu prisão no passado para muita gente graúda e parece que vai dar novamente neste caso envolvendo essas figuras e ex-figuras do Governo do Estado e que estão em outros poderes.
Mais treta
Esta semana o tal parlamentar deu entrevista a um outro colega de site de notícias, que tem programa de entrevistas ao vivo. Perguntado pelo entrevistador sobre a história dos 40 sites, o político já começou assim: “Isso é uma mentira, de um mentiroso, safado, um jornalista, chamado xxxxxxx xxxxxxx, do xxxxxxxx”.
Mais treta 2
Ele seguiu com a explicação: “O meu irmão, que é webmaster, trabalha com faturamento em nove estados do Brasil”. E o entrevistador: “Inclusive para meu site”. E o entrevistado continuou: “E daí o mau-caráter do jornalista xxxxxxx xxxxxxxx, do site xxxxxxxxx, começou a inventar essa mentira. Primeiro disse que eu tinha 50 sites. Ele é um invejoso”.
Mais treta 3
A saraivada de “elogios” seguir firme e forte: “É uma pessoa que não tem brilho próprio, que de dia é de um jeito, e de noite, de outro jeito. Um dia ele está doido, outro dia ele está melhor. É uma pessoa que começou a inventar isso aí. Eu não vou ficar dando trela para isso e eu faço questão de falar sobre isso. Vou preparar uma nota sobre isso e vou ao Ministério Público”.

Nas ruas
Mudando de assunto, mas ainda em política, o vice-governador Sérgio Gonçalves colocou o bloco na rua. Esta semana ele participou do vídeocast Pratas da Casa, apresentado por Rodrigo Moraes, na TV Caboquinho, no YouTube. O futuro governador de Rondônia (pelo menos a partir de abril, quando Marcos Rocha sai para a campanha ao Senado), falou sobre diversos assuntos.
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Sérgio falou sobre como ocorreu o convite para ser vice-governador, mesmo sendo empresário. “Desde muito jovem, eu tenho a afeição ao trabalho. De participar de modo ativo da vida. Vim da iniciativa privada com vivência como empresário. Confesso que era algo distante, a vida e o serviço público. Foi e está sendo uma experiência muito grandiosa para mim”, indicou ele.
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Rodrigo ainda perguntou para Sérgio, se ele se arrependia de ter entrado na política, especialmente após a “briga” com o governador Marcos Rocha. “A gente tem que trabalhar em prol da população, para que ela fique satisfeita. Estamos falando da dona de casa, do pai de família. Qualquer serviço público que ele procure, ele tem que sair satisfeito de lá. Essa é a parte boa”.
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No complemento da resposta, ele foi mais diplomático: “Tem a parte do diálogo político, que é o que ela está falando. São pessoas com visões diferentes, do mesmo problema. Isso é saudável, essa diferença, essa divergência. Ela é necessária, pois ninguém faz nada sozinho. Então você tem várias visões diferentes para chegar a uma solução. E tem a parte negra da política, que existe, mas não vale nem o comentário”, observou o vice-governador.

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Sérgio ainda falou sobre a escolha dele para o cargo: “Não foi uma escolha fácil. Foi muito corajosa por parte do governador Marcos Rocha. Havia muita pressão, muitos jogos de interesse vindo de todos os lados. Então foi verdade que ele sustentou meu nome até o fim”.
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