Câmara ou plateia? Vereadores de Porto Velho aplaudem EcoRondônia em reunião sobre a polêmica PPP do lixo
“Encontro cordial” acontece logo após denúncia sobre liminar que mantém a Marquise/EcoRondônia no comando da coleta de resíduos; Prefeitura tem 24 horas para se explicar

Da redação TVC Amazônia*
A cena beirou o surreal. Em vez de cobrar respostas sobre contratos contestados, liminares ignoradas e a confusão institucional que virou a coleta de lixo em Porto Velho, vereadores da chamada Comissão Especial de Fiscalização passaram a quarta-feira (24) ouvindo um verdadeiro show de autopromoção da EcoRondônia Ambiental S/A, braço da Marquise Ambiental.
Do lado da empresa, executivos com cargos pomposos desfilaram números e promessas milionárias: frota novinha, central de monitoramento cheia de telinhas, atendimento ao consumidor “humanizado”, campanhas de educação ambiental que, segundo eles, já teriam alcançado 760 mil pessoas, e até um ferryboat robusto, capaz de carregar 120 toneladas no Baixo Madeira.
Tudo embalado no discurso de “investimentos de R$ 180 milhões” — como se Porto Velho tivesse virado uma vitrine de primeiro mundo na gestão de resíduos.
O diretor comercial da Marquise, Thiago Levy, abriu os trabalhos agradecendo a presença dos parlamentares e elogiando a “importância da fiscalização da Câmara”. Fiscalização? Para quem assistiu, a cena lembrava mais uma reunião de alinhamento entre parceiros comerciais do que qualquer ato de controle público.
Os executivos ainda pintaram um futuro brilhante: construção de um Centro de Tratamento de Resíduos, captação de biogás para virar energia limpa, triagem de recicláveis com “inclusão produtiva dos catadores” e compostagem de orgânicos. No papel, Porto Velho já estaria pronta para concorrer com capitais europeias em gestão ambiental.
Mas enquanto a Marquise/EcoRondônia vende sonho, a realidade política é outra. O vereador Thiago Tezzari (PSDB) lembrou em plenário que existe uma liminar determinando a continuidade do contrato da empresa, decisão que o prefeito Léo Moraes e o Tribunal de Contas do Estado convenientemente ignoraram ao homologar um contrato emergencial.
A juíza Muriel Clève Nicolodi, da 2ª Vara da Fazenda Pública, foi clara: o contrato com a EcoRondônia/Marquise segue válido até julgamento final.
Tezzari chegou a dar prazo de 24 horas para que a Prefeitura explique por que insiste em bancar serviços emergenciais quando há ordem judicial vigente. No meio disso, o discurso nobre é que a “população não pode pagar o preço de conflitos institucionais”.
Enquanto isso, vereadores como Wanoel Martins (PSD), Edimilson Dourado (União), Gilber Rocha – Dr. Gilber (PL), Nilton Souza (PSDB) e Everaldo Fogaça (PSD) engrossaram o time que, no mínimo, parece mais preocupado em ouvir justificativas empresariais do que enfrentar o caos político-jurídico instalado.
No fim, o encontro deixou uma sensação desconfortável: afinal, quem estava fiscalizando quem?
*Com informações do Rondoniagora.



