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Belém mostra sua alma amazônica na contagem regressiva para a COP30

Cultura, sabores e saberes tradicionais ganham destaque na preparação da capital paraense para o maior encontro climático do planeta

Artesanatos exibem o Curupira e outros seres da cultura amazônica em preparação para a COP30 – Foto: Gabriel Della Giustina/COP30

Da redação TVC Amazônia*

Logo ao desembarcar no aeroporto, o visitante percebe: Belém vive o espírito da COP30. Murais com araras, onças e o lendário Curupira anunciam uma cidade colorida e vibrante, pronta para receber o mundo.

Entre cheiros de ervas, artesanatos únicos e pratos típicos, a capital paraense exibe com orgulho o que tem de mais autêntico — a criatividade e o calor humano da Amazônia.

Acostumada a acolher multidões durante o Círio de Nazaré, um dos maiores eventos religiosos do planeta, Belém transforma essa experiência em hospitalidade para a conferência climática. A aposta é clara: usar a força da cultura local para encantar delegações e deixar o Pará na memória de quem vier.

Já no aeroporto de Belém uma imagem do Curupira e da COP30 espera quem desembarca das aeronaves – Foto: Mayara Souto/COP30

Arte e tradição em cada detalhe

No Ver-o-Peso, símbolo da cidade e a maior feira a céu aberto da América Latina, o artesanato ganhou novas cores. Além dos tradicionais objetos religiosos, multiplicam-se peças que celebram a COP30: canecas, camisetas e cerâmicas pintadas à mão com figuras do Curupira, do muiraquitã, da onça e da bandeira do Pará.

“Desde o ano passado estamos criando lembranças com temas amazônicos. As pessoas procuram muito os animais e os personagens das nossas lendas”, conta Luzilena Silva, que trabalha há anos com cestarias e cerâmica.

Artesã Luzilena está com o estoque cheio de lembrançinhas da COP30 – Foto: Gabriel Della Giustina/COP30

Aromas que contam histórias

Entre os corredores do Ver-o-Peso, o aroma das ervas medicinais da Amazônia revela outro lado da cultura paraense. As erveiras, herdeiras de um saber ancestral, também entraram no clima da COP30.

A comerciante Maria Iracilda criou um perfume especial para o evento. O segredo da fórmula ela guarda a sete chaves, mas garante que o produto transmite “boas energias” e representa o poder das ervas amazônicas. “Queremos que quem vier de fora leve um pouco do nosso cheiro e da nossa floresta”, diz.

A famosa Beth Cheirosinha, por sua vez, viu o “banho da COP30” se esgotar rapidamente. “Está sendo muito procurado! É um banho de ervas da natureza, cheio de energia boa. Se a COP é no Pará, tem que ter cheiro e força daqui”, afirma. Ela também aposta na venda de óleos de andiroba e copaíba, conhecidos por suas propriedades curativas.

Beth Cheirosinha é reconhecida nacionalmente pelos banhos de erva que produz – Foto: Gabriel Della Giustina/COP30

Sabores que encantam o mundo

Nos restaurantes e barracas da cidade, o preparo também é intenso. O clássico peixe frito com açaí continua sendo a principal atração, mas outros pratos típicos ganharam reforço. “Temos pirarucu, filhote, dourada, e açaí de sobra. Até treinamos uma funcionária que fala dois idiomas”, conta a feirante Leydeane Modesto, há 27 anos no Ver-o-Peso.

Ela celebra ainda as melhorias no local após a reforma do Complexo Ver-o-Peso, que modernizou o sistema elétrico e de esgoto com investimento de mais de R$ 70 milhões. “Agora temos estrutura para receber gente do mundo todo”, comemora.

Sobremesa amazônica

Na Estação das Docas, às margens do Rio Guamá, os sorvetes traduzem a mistura de culturas que a COP30 representa. Uma das sorveterias mais renomadas do mundo criou o sabor COP30, unindo cupuaçu e castanha-do-pará com pistache, em homenagem ao diálogo entre o regional e o global.

Sorvete tem como lema unir o que vem de fora com o local, por isso, tem como ingredientes o pistache (Oriente Médio), a castanha-do-pará e o cupuaçu (amazônicos) – Foto: Mayara Souto/COP30

“É diferente, tem o gosto do nosso Pará”, elogia a cliente Waldineia Mendonça, enquanto recomenda outros sabores como tapioca, açaí e bacuri.

Outra sorveteria apostou apenas em ingredientes locais: “Fizemos um sabor especial com cumaru, nossa baunilha amazônica, farofa de castanha e geleia de bacuri. É o mais pedido”, diz Jaqueline Moraes, atendente do local.

A COP da floresta e do povo

Em meio a tantas cores, aromas e tradições, Belém se prepara para muito mais do que uma conferência. A cidade se transforma num palco vivo da Amazônia — onde cultura, fé e natureza se unem para inspirar o mundo.

Belém está pronta para receber a COP da Amazônia, a COP da ação e do afeto, que mostrará ao planeta que o futuro do clima também passa pelo coração da floresta.

*Com informações de Mayara Souto – assessoria da COP30

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