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Filhos de vereadora do União Brasil são apontados como beneficiários do Bolsa Família apesar de renda e vínculos de trabalho

Registros oficiais indicam recebimento do auxílio social mesmo com atividades remuneradas; Ministério Público Federal abriu apuração

Da redação TVC Amazônia*

A concessão do Bolsa Família a filhos de uma vereadora do município de Presidente Médici gerou forte repercussão nas redes sociais e levantou suspeitas de irregularidades no uso de recursos destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social.

A denúncia envolve os filhos da vereadora Damiana Coelho de Lacerda, conhecida como “Bia do Assentamento” (União Brasil). Levantamento em bases públicas de dados aponta que, entre 2024 e 2025, eles teriam recebido juntos mais de R$ 20 mil do programa federal, apesar da existência de rendas e vínculos formais de trabalho. Situações que, em tese, contrariam as regras do Bolsa Família.

Um dos casos diz respeito a Maria Eduarda, que aparece como beneficiária do programa em mais de um município. Quando deixou de constar como recebedora em Presidente Médici, o benefício teria continuado sendo pago em Limeira (SP), onde atualmente reside.

Registros oficiais indicam pagamentos ativos no município paulista até outubro de 2025, mesmo após mudança de domicílio e de composição familiar.

Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) também apontam que Maria Eduarda mantém vínculo ativo como bolsista, com carga horária de 40 horas semanais, custeado por outro ente público.

Ainda que não se trate de cargo estatutário, trata-se de atividade remunerada na rede pública, cuja renda deveria, em tese, integrar o cálculo para acesso ao benefício social.

Além disso, no mesmo período em que recebia o Bolsa Família, Maria Eduarda manteve vínculo empregatício formal com a cooperativa Cresol, em Presidente Médici, recebendo salário simultaneamente ao auxílio.

O segundo caso envolve José Renato Cavalcante de Araujo, filho da vereadora, que teria recebido parcelas mensais de R$ 600 do Bolsa Família entre janeiro e agosto de 2025.

A situação veio a público após a circulação de vídeos e imagens em redes sociais e grupos de WhatsApp, que reúnem prints do Portal da Transparência e registros do próprio José Renato em atividade laboral.

Em suas redes sociais, há diversos vídeos em que ele aparece trabalhando em uma madeireira da região. Caso a atividade não tenha sido informada ao Cadastro Único, o recebimento do benefício pode configurar irregularidade.

Declarações em plenário

Diante da repercussão, a vereadora se pronunciou durante sessão ordinária da Câmara Municipal realizada em 03 de novembro. Em discurso, ela afirmou que os filhos teriam direito ao benefício e negou recebimentos em 2025.

Também classificou as críticas como ataques injustos e marcados por preconceito social, defendendo que “não há vergonha em precisar de um programa social”.

Segundo a parlamentar, José Renato teria se inscrito no Bolsa Família em 2023 após sofrer um acidente que o afastou temporariamente do trabalho, por orientação médica, e o benefício já teria sido cancelado posteriormente.

Sobre Maria Eduarda, afirmou que o auxílio foi recebido apenas em período de desemprego, ressaltando que o programa considera exclusivamente a renda declarada no sistema.

Ela também alegou que nenhum dos filhos estaria atualmente recebendo o benefício e que eventuais bloqueios poderiam ocorrer por motivos administrativos externos ao sistema federal.

Posicionamento da filha

Após a divulgação do caso, Maria Eduarda publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando ser “pessoa física independente”, casada e mãe, e pediu para não ser associada, naquele contexto, à condição de filha da vereadora. Ela não comentou diretamente os registros de pagamento nem os dados disponíveis no Portal da Transparência.

Dados oficiais e investigação

Apesar das manifestações públicas, informações constantes em bases oficiais do Governo Federal indicam pagamentos recentes e ativos do Bolsa Família aos dois filhos da vereadora nos períodos citados.

Os registros levantam dúvidas sobre possíveis divergências entre os dados declarados no Cadastro Único e a realidade econômica demonstrada por vínculos de trabalho e renda.

A reportagem tentou contato com a vereadora por meio de mensagens enviadas via WhatsApp, solicitando esclarecimentos adicionais sobre as informações oficiais. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Diante dos indícios apresentados e da ampla repercussão, o Ministério Público Federal (MPF) confirmou a existência de procedimento em andamento para apurar os fatos e eventuais responsabilidades. O espaço permanece aberto para manifestações da vereadora e de seus familiares.

*Com informações do Rondoniagora.

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