Operação Dreno tira coordenador-geral da campanha de Marcos Rogério; Marcélio anuncia afastamento e minimiza impacto
Prefeito de Nova Mamoré deixa coordenação após ser alvo da Polícia Federal; investigação apura movimentações de recursos do Fundo Eleitoral destinados a serviços contábeis nas campanhas municipais de 2024

Da redação TVC Amazônia*
A Operação Dreno, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo recursos do Fundo Eleitoral nas eleições municipais de 2024, provocou uma baixa importante na campanha do senador Marcos Rogério (PL) ao Governo de Rondônia.
Alvo da investigação, o prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Brasileiro (PL), anunciou na noite desta quinta-feira (10) seu afastamento “voluntário” da função de coordenador-geral da campanha de Marcos Rogério.
Marcélio, no entanto, permanece à frente da Prefeitura de Nova Mamoré e na presidência da Associação Rondoniense de Municípios (AROM).
A saída ocorre um dia depois da deflagração da operação e em meio aos desdobramentos políticos provocados pela investigação.
Também nesta quinta-feira, o prefeito de Ji-Paraná, Affonso Cândido, exonerou o secretário municipal de Fazenda Anderson Cavalcante Oliveira, ligado à Acotec Contabilidade, empresa que recebeu recursos de campanhas eleitorais do PL em 2024.
Investigação segue caminho do dinheiro eleitoral
A Operação Dreno apura movimentações financeiras envolvendo recursos públicos utilizados no financiamento de campanhas. Entre os valores sob análise estão pagamentos realizados à Acotec por candidatos que receberam dinheiro do diretório estadual do PL.
Segundo os dados apresentados, aproximadamente R$ 1,2 milhão em recursos eleitorais teriam chegado ao escritório por meio de contratações realizadas no contexto das campanhas de 2024.
A relação passou a despertar ainda mais atenção porque Anderson é irmão de Sharleston Cavalcante Oliveira, que atuava como assessor parlamentar no Senado e é apontado como integrante próximo do núcleo político de Marcos Rogério, além de exercer funções financeiras relacionadas à atual campanha.
Conforme os registros citados, Sharleston participou da autorização de repasses do PL para candidaturas municipais. Posteriormente, parte desses recursos foi utilizada por campanhas para contratar serviços da Acotec.
Ao menos cinco candidatos eleitos pelo partido teriam registrado pagamentos à empresa por serviços contábeis.
A sequência das movimentações está entre os fatos que precisam ser esclarecidos pela investigação. A simples existência das transferências e contratações, porém, não comprova desvio de recursos nem responsabilidade criminal dos envolvidos.
Operação provoca baixas políticas
Os efeitos da Dreno rapidamente ultrapassaram os procedimentos policiais. Em Ji-Paraná, Anderson deixou a Secretaria Municipal de Fazenda após o cumprimento das diligências. Em Nova Mamoré, Marcélio decidiu abandonar uma das funções mais importantes da campanha de Marcos Rogério.
O senador, até o momento das informações apresentadas, não havia se pronunciado pessoalmente sobre os desdobramentos da operação.
Em manifestação anterior, a direção estadual do PL sustentou que o partido não é investigado e que a apuração está relacionada à conduta de pessoas físicas e de um prestador de serviços.
Embora não haja, nas informações apresentadas, indicação de que Marcos Rogério seja alvo da Operação Dreno, a origem partidária dos recursos e a participação de pessoas politicamente próximas ao senador nas movimentações colocam o episódio no centro da campanha eleitoral.

Marcélio anuncia saída e tenta afastar crise da campanha
Na nota em que comunicou seu afastamento, Marcélio Brasileiro procurou desvincular a investigação da candidatura de Marcos Rogério e sustentou que o episódio não deverá atingir o senador.
O prefeito também afirmou que questões relacionadas aos repasses partidários e aos posteriores pagamentos realizados pela campanha já teriam sido objeto de esclarecimentos.
A manifestação, contudo, ocorre após a Polícia Federal cumprir diligências relacionadas à investigação, inclusive em endereços vinculados ao prefeito.
Durante a operação, segundo as informações apresentadas, foram apreendidos pouco mais de R$ 50 mil. As circunstâncias e a origem dos valores deverão ser esclarecidas no decorrer das investigações.
As diligências não ficaram restritas a Nova Mamoré. A Polícia Federal também realizou buscas em Ji-Paraná e em Porto Velho. Entre os locais alcançados pela investigação está a Live Norte, empresa cuja eventual participação em movimentações financeiras e prestação de serviços eleitorais também é apurada.
A investigação deverá agora avançar sobre o caminho percorrido pelos recursos, a efetiva prestação dos serviços declarados e a eventual existência de irregularidades.
Politicamente, porém, a Operação Dreno já produziu efeitos concretos: em pouco mais de 24 horas, um secretário municipal deixou o cargo e o coordenador-geral de uma das principais campanhas ao Governo de Rondônia saiu de cena.
*Com informações do Rondoniagora.



