PSD turbina campanha de Joliane Fúria com R$ 1,5 milhão e deixa candidato ao Senado com menos recursos
Esposa de Adailton Fúria recebeu R$ 500 mil a mais do Fundo Eleitoral que Luís Fernando; movimentações de campanha também indicam aproximação do casal com outra candidatura ao Senado

Da redação TVC Amazônia*
A distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha pelo PSD em Rondônia expôs uma diferença significativa entre algumas das principais candidaturas da legenda.
Enquanto Luís Fernando, candidato oficial do partido ao Senado, recebeu R$ 1 milhão, Joliane Fúria, candidata à Câmara dos Deputados e esposa do candidato ao Governo Adailton Fúria, foi contemplada com R$ 1,5 milhão.
A diferença chama atenção principalmente porque Luís Fernando entrou na disputa com o apoio do governador Marcos Rocha, presidente estadual do PSD, que participou diretamente da montagem das chapas do partido para as eleições deste ano.
Mesmo colocado como aposta da legenda para o Senado, Luís Fernando ficou atrás de Joliane na distribuição do chamado “fundão”. Na prática, a candidata a deputada federal recebeu R$ 500 mil a mais de recursos partidários que o nome escolhido para uma das principais disputas majoritárias do estado.
Para Joliane, R$ 1,5 milhão; para outros, R$ 100 mil
A distância fica ainda maior quando os valores destinados aos demais candidatos proporcionais são colocados lado a lado.
Junior Lopes, Daniel Pitbul, Adilson Honorato, Luiz Cláudio e Fernando Vilas receberam, segundo os dados apresentados, R$ 100 mil cada.
Ou seja, para cada R$ 1 destinado individualmente a esses candidatos, Joliane recebeu R$ 15.
A matemática eleitoral do PSD pode até encontrar amparo nas regras partidárias, mas certamente oferece combustível para uma pergunta inevitável: quais critérios fizeram a esposa do candidato a governador valer quinze vezes mais, financeiramente, que alguns de seus próprios companheiros de chapa?
A legislação eleitoral não obriga os partidos a distribuírem os recursos de maneira igualitária entre todas as candidaturas. Respeitadas as regras legais de destinação, cabe às direções partidárias estabelecer critérios e prioridades para aplicação do Fundo Eleitoral.
E, olhando apenas para os números, a prioridade do PSD ficou bastante clara. Luís Fernando é candidato do PSD, mas o casal Fúria parece ter outros planos
O desconforto não se restringe ao dinheiro: movimentações recentes da campanha indicam distanciamento entre Adailton Fúria, Joliane e a candidatura de Luís Fernando ao Senado, apesar de todos integrarem o mesmo projeto partidário.
Joliane foi vista participando de atos políticos ao lado de Mariana, inclusive em uma motoneta durante atividade de campanha. As duas também apareceram juntas em Itapuã do Oeste.
Adailton Fúria, por sua vez, foi visto utilizando um bóton com o número 100, gesto interpretado nos bastidores como manifestação de apoio a uma candidatura diferente daquela de Luís Fernando.
O cenário produz uma situação, no mínimo, curiosa: Luís Fernando disputa o Senado pelo PSD, mas parece precisar disputar dentro do próprio PSD o apoio daqueles que deveriam estar no mesmo palanque.
“Fundão” ajuda a revelar as prioridades
A distribuição dos recursos partidários, isoladamente, não representa qualquer irregularidade. Tampouco o fato de Joliane receber mais recursos significa, por si só, favorecimento ilegal.
Politicamente, porém, os valores revelam prioridades: Luís Fernando foi convidado para disputar o Senado, ganhou espaço na chapa majoritária e recebeu R$ 1 milhão. Joliane Fúria, esposa do candidato ao Governo, recebeu R$ 1,5 milhão.
Enquanto isso, outros candidatos do próprio PSD tiveram de começar a campanha com R$ 100 mil provenientes do fundo.
Em eleição, discurso serve para apresentar unidade. Mas, quando chega a hora de dividir o dinheiro, a planilha costuma mostrar quem realmente ocupa os melhores lugares à mesa.
*Com informações do Rondoniagora.



