Marcha Global Indígena inicia nova etapa da COP30 com pressão por demarcações e suspensão de decreto
Mobilização em Belém reuniu representantes de mais de 60 países e reforçou pedidos por justiça territorial, segurança e participação efetiva nas decisões sobre a Amazônia

Por Felipe Corona – enviado especial TVC Amazônia
Belém (PA) – A segunda semana da COP30 teve início, nesta segunda-feira (17), marcada pela Marcha Global Indígena, que ocupou as ruas da capital paraense.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e guiado pelo lema “A Resposta Somos Nós”, o ato reuniu centenas de indígenas de mais de 60 países e reiterou exigências firmes pela demarcação de terras e pela defesa dos territórios, especialmente diante do aumento dos conflitos.

A mobilização ocorreu um dia após o assassinato brutal de mais uma liderança Guarani Kaiowá, fato que amplificou os clamores por justiça e por condições de paz nas comunidades indígenas.
A caminhada contou com a participação da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, além de figuras de destaque como Txai Suruí, Alessandra Munduruku e a deputada federal Célia Xakriabá.

Todas reforçaram críticas ao Decreto 12.600/2025, que flexibiliza a exploração hidroviária por empresas privadas, e repudiaram grandes projetos que avançam sobre a Amazônia, da mineração ao agronegócio.
Boulos reiterou que o governo Lula não dará aval a obras na Amazônia que não cumpram a Consulta Livre, Prévia e Informada aos povos indígenas. A declaração, porém, não satisfez integralmente as lideranças, que cobram ações imediatas. Para Alessandra Munduruku, promessas não garantem segurança:

“As palavras não valem nada. Que assine a papelada, a revogação do decreto, e que anuncie que os povos indígenas também vão estar na mesa de negociação”, afirmou.
Sonia Guajajara anunciou ainda que novas demarcações serão divulgadas ao longo da COP30 e que o Ministério da Justiça deve publicar portarias declaratórias nos próximos dias, sinais que, segundo diversas lideranças, precisam se materializar frente ao acirramento das ameaças territoriais.

Além das reivindicações políticas, a marcha reforçou que a demarcação de terras indígenas é também uma estratégia fundamental de política climática, essencial para proteger os ecossistemas amazônicos e conter os avanços da crise climática.



