Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Cai a máscara do falso moralismo dos vereadores de Porto Velho
Destaques negativos ficam para Sofia Andrade (aquela que dizia que ia acabar com a velha política) e o suposto Fiscal do Povo, Breno Mendes, que sugeriu até cortar contrato de limpeza da cidade
Por que não?
Já sabemos há muitas décadas: políticos são especialistas em hipocrisia/falso moralismo. Trocando em poucas palavras: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. E com a ascensão da extrema-direita no país, aí que o arroto da moralidade ecoou em vários estados e cidades. Em Porto Velho e Rondônia em geral não seria diferente.

Deu ruim
Apesar das palavras bonitas (muitas vezes acompanhadas de gritos e saliva voando), os representantes da direita não fazem NADA DIFERENTE dos políticos profissionais. Dizem que querem uma chance para acabar com a corrupção, que a população está cansada da velha política, do toma-lá-dá-cá e que vão mudar o país/estado/cidade.
Queremos poder e dinheiro
Um dos exemplos mais claros e sistemáticos é a vereadora Sofia Andrade (PL). Ela usa essa mesma balela desde 2018, quando saiu direto de um carrinho de churrasquinhos de sua propriedade para virar uma ativista das redes sociais. Com a velha bandeira surrada da direita de Deus, Pátria e Família, ainda veio com combo de defender armamento da população a qualquer custo.
Queremos poder e dinheiro 2
Ela bateu na trave e quase foi morar em Brasília. Ficou como suplente de deputado federal. Queria ficar mais perto do seu “mito”, para defendê-lo. Mas veio a eleição para vereadora e foi bem votada. Com a mesma conversa mole de moralizar a política na capital, chegou chegando. Porém, foi se apagando, sumindo e viajando bastante para Brasília para defender seu amor maior, o “mito”.
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Então, diversos sites de notícias divulgaram que ela conseguiu cargos para irmã, agregados e aliados políticos. Foram pelo menos 10 com salários bem gordinhos. E a defensora da moral, dos bons costumes e da boa política, ficou caladinha, fugindo de votações polêmicas. Porém, sendo da base aliada do prefeito Léo Moraes (Podemos).
Mais empréstimo
E a máscara da moralidade dela e de outros caiu nesta semana: o vazamento de áudios de uma reunião a portas fechadas entre vereadores e o secretário-geral de Governo, Sérgio Paraguassu, escancarou os bastidores da política que envolveu a negociação da nova proposta de endividamento do município, no valor de R$ 180 milhões.
Mais empréstimo 2
A reunião, realizada sem divulgação oficial, tinha como objetivo articular apoio à mensagem do prefeito Léo Moraes que solicita autorização da Câmara para contrair novo empréstimo junto as instituições internacionais tendo a União como fiador.

Mais empréstimo 3
O conteúdo das gravações revela diálogos sem pudores, onde os próprios parlamentares admitem o custo político da decisão e condicionam o apoio ao projeto a contrapartida$ direta$, em especial, à garantia de pagamento integral das emendas impositivas, que representam hoje cerca de R$ 21 milhões do orçamento municipal.
“O povo vai pagar a conta”
Um dos trechos mais simbólicos parte de Sofia Andrade, que não apenas demonstra ciência sobre o impacto do novo empréstimo, mas se limita a perguntar, de forma cínica: “Quero saber como o povo vai pagar a conta”. Ela não cobra estudos de impacto financeiro, não exige projetos prontos ou transparência na execução anterior dos R$ 300 milhões já autorizados pela Câmara. O foco é outro.
Reclamação
Sofia ainda reclama: “Meu secretário, bato na sua porta todo dia… super respeito o presidente Gedeão [Gedeão Negreiros, presidente da Câmara], respeito a Ellis [Ellis Regina, vereadora], mas aqui nessa situação pra mim, o voto de todo mundo tem valor. Querendo ou não, vamos apanhar igual menino ruim. Os Instagrans de todos estão fervendo…”
Barulho
Mesmo reconhecendo que a cidade precisa de investimentos, a fala de Sofia Andrade (que perdeu toda a vergonha e já entrou no “jogo”) é marcada pela preocupação com a repercussão nas redes sociais e a cobrança por um tratamento “igualitário” na partilha política.
Sem limpeza
Outro trecho que chama atenção vem do vereador Breno Mendes (Avante), que também é líder do prefeito na Câmara, onde ele condiciona o apoio ao projeto à garantia de 2% em emendas impositivas, percentual aprovado pela base da Câmara e criticado pela equipe econômica do prefeito, que classificou a medida como “bolada nas costas”.
Sem limpeza 2
“Não vamos abrir mão do 2%, queira o Executivo ou não. Se for para cortar contrato da MB [MB Limpeza Urbana], nós vamos cortar. Vamos cortar qualquer coisa para adequar o orçamento… Nem que deixe de limpar menos a cidade para atender as emendas impositivas”, disparou o suposto “Fiscal do Povo”.
Próprios interesses
O percentual citado por Breno Mendes refere-se às emendas impositivas sobre a receita corrente líquida do município, estimada em R$ 2,86 bilhões para 2025. Os 2% representam R$ 21 milhões, valor que cada vereador pode aplicar em entidades públicas ou privadas, muitas vezes sem licitação, o que transforma o dispositivo em capital político valioso para os próprios parlamentares.
Próprios interesses 2
A exigência da base aliada é de que esse valor seja garantido, independentemente da situação fiscal ou da viabilidade dos projetos financiados com recursos do novo empréstimo. Ou seja: que a população e os cofres públicos literalmente se explodam! A prioridade são os recursos DELES!
Reação ao escândalo
Ao tomarem conhecimento do vazamento dos áudios, os vereadores Sofia Andrade e Breno Mendes repudiaram publicamente a gravação. Sofia ainda teve a cara de pau (que nem tremeu) ao reclamar que a gravação foi vazada de forma leviana por uma pessoa que estava presente a uma reunião de “caráter privado”.

Reação ao escândalo 2
Ora, senhora Sofia Andrade, se as gravações não fossem vazadas, ninguém saberia da VERDADE. Ou aquilo que todo mundo já sabe: vossa excelência diz uma coisa em seus discursos/redes sociais, mas quando se trata dos interesses do povo, que se lasquem! O que importa SÃO OS SEUS INTERESSES e DA SUA FAMÍLIA.
Dica
Para quem enquanto fazia campanha de deputada federal dizia que era empresária em emissoras de rádio do interior, mesmo dona de um carrinho de churrasquinho, o que é essa gravação né? Segundo o Sebrae, a senhora tem direito a CNPJ sim enquanto MICROEMPREENDEDORA INDIVIDUAL (MEI) e não é empresária, tá?
Pegando fogo
O vazamento de áudios desencadeou uma crise interna que expôs um ambiente de desconfiança e tensão. Após a repercussão negativa, o presidente Gedeão Negreiros convocou uma reunião emergencial. Segundo relatos de bastidores, três vereadores disseram que colegas tiveram seus celulares revistados durante o encontro.
Pegando fogo 2
Nenhuma medida formal foi registrada, mas o clima de suspeita gerou silêncio estratégico entre os parlamentares. “Até conversar virou risco”, comentou um dos vereadores. A frase resume o estado atual da Câmara: qualquer palavra fora do lugar pode custar caro. Ainda mais às vésperas de uma campanha eleitoral, onde alguns querem ir para a Assembleia Legislativa ou Brasília…
Pegando fogo 3
Na reunião em que os áudios foram gravados, não estavam presentes apenas três vereadores. Havia também assessores do Executivo, servidores de apoio e até garçons circulando pelo ambiente. Em meio a tantas presenças, a origem da gravação ainda é incerta, mas os efeitos já são bem visíveis.

Sem noção
Em meio ao encontro, o secretário-geral Sérgio Paraguassu fez uma declaração irônica (ou sem noção): teria oferecido um cargo com salário de 10 mil reais a quem descobrisse o autor do vazamento. Faltou só propor o cargo de secretário. A fala informal provocou desconforto, principalmente entre os que se viram pressionados sem qualquer envolvimento direto.
Sem noção 2
Os áudios rapidamente se espalharam por grupos de WhatsApp em toda Rondônia. A repercussão negativa foi tão grande que ofuscou o debate principal: o endividamento de 480 milhões de reais, somando os 300 milhões já aprovados em janeiro aos 180 milhões recém-aprovados. A pergunta mais urgente era “como pagar?”, mas o foco virou “quem gravou?”.
Fiquem espertos
Enquanto isso, chama atenção o silêncio de alguns que também estavam na sala e nunca foram cogitados como suspeitos. Curiosamente, são os mesmos que não ocupam cadeiras no plenário, mas acompanham de perto cada pauta de interesse da gestão. Ou seja: o foco está nas pessoas erradas, aquelas que parecem ser aliadas, mas têm outros interesses fora da Câmara e/ou da prefeitura…
*Esta coluna foi escrita utilizando informações divulgadas pelos sites Rondoniagora (no dia 14 de julho) e Fatos RO (no dia 16 de julho).
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