Por Humberto Banchieri
Porto Velho acordou mais humana nesta terça-feira (12). Não foi um milagre, mas um ato concreto: a Prefeitura, em gesto urgente e necessário, assinou o termo que entrega ao NACC (Núcleo de Apoio à Criança com Câncer) a gestão do antigo Lar do Bebê, agora rebatizado como Casa Criar.

A cerimônia, seca, sem pompas, no sóbrio auditório do Prédio do Relógio, pode parecer mais uma burocracia. Mas é, na verdade, um raio de luz num país que insiste em negligenciar seus filhos mais frágeis. A Casa Criar não será apenas “mais um abrigo”. Promete ser um oásis de dignidade – onde saúde, desenvolvimento infantil e assistência social deixam de ser verbos distantes para se tornar realidade cotidiana. O NACC, com sua expertise no cuidado a crianças em situação de vulnerabilidade, assume a missão de transformar quatro paredes num verdadeiro projeto de reconstrução humana.

Aqui, o detalhe que salta aos olhos: não se trata só de oferecer um teto, mas de retecer vidas. Haverá acompanhamento psicossocial, estímulo ao desenvolvimento, integração familiar. É pouco? Não. É o mínimo. Mas num país onde o mínimo virou luxo, Porto Velho ensina que políticas públicas sérias começam com gestos assim – concretos, sem demagogia. Os presentes à solenidade – técnicos, gestores, militantes sociais – sabem: a Casa Criar não resolverá todos os problemas. Mas é um ponto de inflexão. Enquanto o Brasil discute bobagens em redes sociais, Rondônia mostra que a verdadeira revolução é feita com atores locais, parcerias sólidas e prioridades claras. Que esta casa não seja apenas inaugurada, mas vivida. E que seu exemplo ecoe além dos muros do Prédio do Relógio. Afinal, como dizia um velho jornalista: “O tamanho de uma cidade se mede pela forma como trata suas crianças esquecidas.”
A Casa Criar contará com 20 vagas, com atenção especial às necessidades de crianças e adolescentes neurodivergentes. O investimento total será de R$ 3.882.996,72 (três milhões, oitocentos e oitenta e dois mil, novecentos e noventa e seis reais e setenta e dois centavos), repassados em três parcelas, assegurando a execução das ações previstas no plano de trabalho.
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