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Facções criminosas ampliam atuação na Bolívia e pressão cresce sobre fronteira de Rondônia

Expansão do PCC e do Comando Vermelho em território boliviano acende alerta sobre segurança na região amazônica

Da redação TVC Amazônia*

O avanço de facções criminosas brasileiras para a Bolívia aumentou o alerta das autoridades na Região Norte e ampliou a preocupação com a vulnerabilidade de estados fronteiriços como Rondônia, historicamente afetado pelas rotas internacionais do tráfico de drogas e armas.

A preocupação voltou ao debate público nesta semana após o policial militar e vereador de Porto Velho, Fernando Silva, denunciar a precariedade da estrutura da Polícia Militar em áreas estratégicas do estado. Segundo ele, no distrito de São Domingos do Guaporé, em Costa Marques (região considerada rota do crime organizado), policiais utilizam até veículo cedido pela prefeitura para realizar patrulhamento.

Durante muitos anos, o Paraguai foi apontado como principal base logística de organizações criminosas sul-americanas. Nos últimos anos, porém, a Bolívia passou a ocupar espaço central nesse cenário, especialmente em regiões como Santa Cruz de La Sierra, onde facções como PCC e Comando Vermelho vêm ampliando operações ligadas ao narcotráfico, lavagem de dinheiro e articulação armada.

O crescimento dessas organizações em território boliviano ocorre em meio a dificuldades de controle estatal, denúncias de corrupção, falsificação de documentos e utilização de estruturas clandestinas para ocultação patrimonial. Além disso, a localização estratégica da Bolívia favorece o escoamento de cocaína para o Brasil e outros mercados internacionais.

Operações recentes realizadas por forças de segurança bolivianas resultaram na apreensão de drogas, armamentos de guerra, veículos de luxo, dinheiro em espécie e até fardamentos policiais, aumentando suspeitas sobre infiltração criminosa em estruturas públicas.

Os números sobre a presença das facções na Amazônia Legal também reforçam a preocupação. De acordo com o relatório “Cartografias da Violência na Amazônia”, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em novembro de 2025, organizações criminosas já atuam em 344 dos 772 municípios da região, o equivalente a cerca de 45% da Amazônia Legal.

A situação preocupa diretamente Rondônia devido à extensa faixa de fronteira com a Bolívia. O estado é considerado corredor estratégico para o tráfico internacional de drogas, contrabando de armas e circulação de grupos criminosos que utilizam rotas amazônicas para abastecer diversas regiões do país.

Com a Bolívia se consolidando como nova base operacional das facções, aumenta a pressão sobre estados da Amazônia Legal que enfrentam dificuldades de integração de inteligência e limitações operacionais no combate ao crime organizado transnacional.

Enquanto o Governo Federal amplia ações integradas na Amazônia, Rondônia ficou fora do novo programa nacional de enfrentamento ao crime organizado lançado nesta semana pelo Ministério da Justiça.

Batizada de “Território Seguro, Amazônia Soberana”, a iniciativa foi apresentada em Manaus com investimento previsto de R$ 209 milhões. O programa atuará inicialmente em nove municípios do Amazonas considerados vulneráveis ao tráfico internacional de drogas.

Segundo o Ministério da Justiça, a estratégia prevê integração entre forças de segurança, inteligência, fiscalização territorial, prevenção social e incentivo a atividades econômicas legais em áreas dominadas por rotas do narcotráfico.

“O que torna este momento diferente é que, pela primeira vez, o Estado inteiro vai atuar junto, com um plano conjunto e atuação simultânea”, afirmou o ministro da Justiça, Wellington Lima.

Até o momento, o Governo de Rondônia ainda não anunciou adesão formal à estratégia federal integrada de combate às facções criminosas, o que levanta questionamentos sobre a capacidade de resposta regional diante do fortalecimento do PCC e do Comando Vermelho na fronteira boliviana.

Especialistas alertam que, enquanto as organizações criminosas ampliam integração logística e articulação internacional, a ausência de coordenação entre estados e União pode abrir ainda mais espaço para a atuação do crime organizado em regiões estratégicas da Amazônia.

*Com informações do Rondoniaovivo e fotos de assessorias de operações policiais.

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