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Ecoporé realiza “Encontrão” para fortalecer Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica em RO

Evento reúne indígenas, agricultores e parceiros para estruturar a cadeia produtiva de sementes, promover a restauração ecológica e gerar renda com a floresta em pé

Fotos: Arquivo/Ecoporé

Da assessoria

Até a próxima quinta-feira (21) acontece o Encontrão dos Articuladores da Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (RESEBA), em Porto Velho.

Promovido pela Ação Ecológica Guaporé (Ecoporé), com financiamento do Fundo Luz Alliance da BrazilFoundation e apoio da The Caring Family Foundation, o evento reúne articuladores da rede, lideranças dos territórios e parceiros estratégicos com o objetivo de fortalecer a governança da rede e promover a integração entre diferentes territórios de atuação na Amazônia.

A cadeia de valor dos produtos da sociobiodiversidade apresenta um enorme potencial para a região, mas a consolidação dessa bioeconomia esbarra em desafios significativos, entre eles as limitações logísticas, o fortalecimento das organizações de base e a inserção no mercado.

Para a Ecoporé, que já beneficiou mais de 40 mil pessoas e restaurou cerca de 3 mil hectares de áreas degradadas ao longo de sua história, estruturar uma rede que engloba agricultores familiares e indígenas de diferentes territórios indígenas em Rondônia, Sul do Amazonas e Noroeste do Mato Grosso exige alinhamento e diálogo constante, capacitação em governança econômica e a inclusão direta de jovens e mulheres.

O Encontrão da RESEBA surge como um marco estratégico para identificar, debater e buscar soluções para esses gargalos, além de construir, de forma coletiva, perspectivas e diretrizes para o futuro da rede.

A programação conta com rodas de conversa, oficinas de coparticipação estrutural, apresentações institucionais e a “Muvuca de Depoimentos”, trazendo a voz de lideranças indígenas. Ao investir na organização comunitária, a iniciativa garante a conservação do bioma e a sustentabilidade financeira das populações locais.

Aline Smychniuk, gerente do Centro de Sementes da Ecoporé, destaca o propósito colaborativo dos três dias de evento.

“O Encontrão dos Articuladores da RESEBA será um espaço de fortalecimento da rede, reunindo representantes de diferentes territórios da Amazônia para promover troca de experiências, alinhamento de processos e construção coletiva de estratégias para o fortalecimento da governança. A expectativa é que o evento consolide a RESEBA como uma estratégia de bioeconomia, restauração ecológica e geração de renda. Além dos debates técnicos e institucionais, o encontro também será um momento de valorização dos conhecimentos tradicionais, das trajetórias dos coletores e do protagonismo das comunidades”.

Para Israel Vale, supervisor técnico etnoambiental, o impacto vai além do viés econômico.

“O encontro de coletores de sementes é um espaço importantíssimo para a troca de experiências entre indígenas, agricultores familiares, instituições governamentais e não governamentais, destacando a geração de renda com a floresta em pé, a valorização da cultura, a conservação da biodiversidade, o fortalecimento da cadeia de restauração ecológica promovido pela Ecoporé através da RESEBA aqui em Rondônia e que tem se expandido para toda a Amazônia”.

Essa mudança de perspectiva e valorização cultural é reforçada na base. Benjamim Oro Nao, liderança indígena da TI Pacaás Novos e presidente da Associação Indígena Santo André, relata a transformação em seu território.

“É muito importante. Por que que eu falo isso? Porque a gente podemos valorizar essa semente. A semente florestal é a nossa cultura dentro da nossa comunidade. Tem semente que podemos comer, tem semente que animais comem, tem a semente que dá medicamento, medicina. Nós, o povo Oro Nao, estamos valorizando agora. Antigamente a gente não pensava em valorizar semente… eu fico muito grato com esse projeto. É para todos, podendo cuidar da nossa semente dentro do nosso território”.

A rede também conta com a sinergia de organizações que atuam em escala nacional para o fomento da restauração. Sobre a integração de esforços, Matheus Rezende, analista do Instituto Socioambiental (ISA) e representante do Redário, afirma:

“Vejo o Encontrão como um momento estratégico e uma oportunidade de olharmos para dentro e para fora, celebrando o trabalho fundamental da instituição. É o momento de conectar o conhecimento prático dos coletores e articuladores com o apoio das organizações parceiras. Minha expectativa é que esses três dias sejam de alinhamento e troca de experiências, com foco em continuar desenvolvendo e fortalecendo todas as instâncias da rede. Assim, garantimos o impacto socioeconômico e, consequentemente, asseguramos que as sementes continuem chegando aos projetos com qualidade para mantermos o sucesso da restauração no campo”.

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