Com sonoridade mineira e identidade rondoniense, Musical Canto Para Todos abre temporada de apresentações
Espetáculo reuniu música, memória e cultura em uma viagem das montanhas de Minas Gerais aos rios e à floresta de Rondônia

Da assessoria
As canções que atravessam gerações ganharam novos sentidos na primeira noite do musical Canto Para Todos, na terça-feira (13), no Teatro Palácio das Artes, em Porto Velho.
Produzido pelo coral Canto Livre, formado em sua maioria por servidores do Ministério Público de Rondônia (MPRO), o espetáculo convidou o público a percorrer caminhos de Minas Gerais a Rondônia, em uma viagem guiada pela música, pela memória e pelas raízes culturais brasileiras. As apresentações prosseguem nesta quarta e quinta-feira (14 e 15/10).
O espetáculo, realizado tradicionalmente como parte das celebrações alusivas ao Dia do Servidor Público, cuja data referência é 28 de outubro, foi aberto pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiroz Santiago.
O chefe do MP rondoniense deu as boas-vindas ao público, destacando o amor e a dedicação dos integrantes do coral, ao longo dos 12 anos de apresentações do Canto pra Todos, evento que ele definiu como um presente dos servidores da instituição à sociedade rondoniense.
O PGJ também destacou a arte como forma de comunicação e interação entre as pessoas. Para ele, a trajetória do coral representa uma oportunidade de compartilhar talentos, aproximar o público e levar a música para além do ambiente de trabalho, em um encontro marcado pela cultura e pela convivência.
Com o tema “Das Geraes ao Mamoré”, a apresentação revisitou clássicos da música mineira e aproximou essa sonoridade da identidade rondoniense. No palco, sob a regência da maestra Sabrynne Sampaio de Sena 43 cantores, seis músicos e uma equipe técnica de 20 profissionais deram vida a uma história contada em vozes, imagens e movimentos.

A inspiração veio, em grande parte, do Clube da Esquina, movimento musical que marcou a história da música brasileira e revelou artistas como Milton Nascimento, Wagner Tiso e Toninho Horta. Com melodias, poesia e arranjos que atravessaram gerações, esses compositores ajudaram a construir uma sonoridade que continua a emocionar o público.
A obra de Milton Nascimento ocupa lugar especial na trajetória do Canto Para Todos. Suas canções conduzem o espetáculo por caminhos que passam pelas cidades mineiras, pelas lembranças e pelos encontros que fazem parte da história do Brasil.
Clássicos como Trem Azul, Vento Solar, Caçador de Mim, Bailes da Vida e Canção da América compõem o repertório. Cada música traz ao palco um pouco da poesia mineira e abre espaço para novos encontros com a cultura de Rondônia.
A proposta vai além de homenagear grandes nomes da música. O espetáculo busca mostrar como territórios distantes geograficamente, podem guardar histórias que se aproximam, mesmo quando suas paisagens, seus costumes e suas vozes são diferentes.
A viagem musical não fica restrita às montanhas de Minas Gerais. Em Rondônia, os trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, os rios, a floresta e a vida dos povos que formam a região também ganham espaço na narrativa.

O canto indígena, os sons da mata e a presença dos beiradeiros — pessoas que vivem às margens dos rios e mantêm uma relação próxima com essas águas — trazem ao espetáculo elementos da cultura amazônica.
Assim, a sonoridade mineira encontrou os ritmos e as referências de Rondônia. O resultado foi uma apresentação que uniu diferentes paisagens e histórias por meio de uma linguagem que todos podem reconhecer: a música.
No palco, as vozes do coral se juntam aos instrumentos e às cenas para construir essa travessia. A cada canção, o público é convidado a olhar para o passado sem perder de vista a riqueza cultural do presente.
Um dos momentos marcantes da apresentação ocorre quando imagens em preto e branco, datadas de 1997, aparecem no telão. Os registros trazem referências à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, conhecida como Ferrovia do Diabo, e aproximam a narrativa musical da história de Rondônia.
A ferrovia, ligada à formação de Porto Velho, carrega lembranças de trabalho, deslocamentos e encontros entre pessoas de diferentes origens. Ao trazer essas imagens para o espetáculo, o musical ampliou a conversa entre a história brasileira e as memórias que fazem parte da identidade rondoniense.
A música, nesse contexto, torna-se também uma forma de contar histórias. As imagens, as vozes e os sons ajudam a aproximar tempos e lugares, mostrando que a cultura se constrói a partir das experiências de muitos povos.
Mais de 700 pessoas assistiram à estreia. Com o público de pé, os aplausos deram o tom do encerramento da primeira noite do Canto Pra Todos.
Ao unir as Geraes ao Mamoré, o espetáculo mostra que a música pode cruzar fronteiras sem apagar as diferenças. Ela aproxima histórias, valoriza culturas e ajuda a manter vivas as lembranças de um povo.

Novas apresentações
O musical terá novas apresentações nesta quarta-feira (14/10) e quinta (15/10). A apresentção do dia 15 terá participação especial dos artistas Toninho Horta e Wagner Tiso, também no Teatro Estadual, às 19h.
As apresentações serão realizadas ainda, em comemoração ao mês do servidor, em Vilhena, dia 27 de outubro, na faculdade Favoo e em Cacoal, dia 28 no Teatro Municipal. A entrada é 1kg de alimento não perecível e ingresso, obtido pela plataforma Sympla.



