Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona – DESGOVERNO NAS NUVENS: Pior governador da história de Rondônia é questionado por suposto gasto bilionário com diárias e viagens
Estimativa divulgada nas redes sociais aponta despesas próximas de R$ 1 bilhão; enquanto valor aguarda comprovação oficial, faltam explicações sobre o que tantas viagens deixam de concreto para Rondônia

Farra
Se existe uma área em que o Governo de Rondônia parece não enfrentar filas, falta de estrutura ou dificuldade de atendimento, é a emissão de diárias. Enquanto a população coleciona problemas na saúde, na educação e na segurança, integrantes da máquina estadual acumulam deslocamentos (inclusive internacionais) pagos com dinheiro público.
Farra 2
Uma publicação do perfil Lusennano Notícias reacendeu a discussão ao levantar a possibilidade de que a gestão do governador Marcos Rocha (PSD) tenha gastado cerca de R$ 1 bilhão com viagens e diárias ao longo de quatro anos. O montante impressiona, mas ainda precisa ser confirmado por documentos oficiais e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização das contas públicas.
Farra 3
A ausência dessa comprovação, contudo, não transforma o assunto em irrelevante. Pelo contrário: diante de uma estimativa dessa magnitude, o mínimo esperado seria uma prestação de contas detalhada, acompanhada dos resultados concretos alcançados. Afinal, dinheiro público não deveria servir apenas para financiar embarques, hospedagens e agendas embaladas para as redes sociais.
E aí?
A pergunta que permanece no saguão de embarque é simples: o que tantas viagens trouxeram para Rondônia? E imagina o quanto não foi gasto em em oito anos???
Sem dó
A população quer saber se as diárias ajudaram a diminuir as filas por consultas, exames e cirurgias; se melhoraram as escolas; se fortaleceram a segurança pública; ou se produziram algum benefício capaz de justificar a quantidade de recursos consumidos. Porque, se o avião decolou, o resultado ainda não aterrissou na vida do cidadão.
Nem aí
A gestão Marcos Rocha precisa explicar quanto foi efetivamente gasto, quem viajou, para onde foi, por qual motivo e quais benefícios foram entregues ao estado. Sem essas respostas, permanece a impressão de que a máquina pública conhece muito bem os caminhos dos aeroportos, mas continua perdida quando precisa chegar aos problemas reais da população.
Nem aí 2
Também chama atenção o silêncio dos órgãos de fiscalização. Ministério Público e instituições de controle precisam esclarecer se receberam denúncias, se acompanham essas despesas e se existem elementos capazes de justificar uma investigação. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam irregularidades nem permitem confirmar o montante de R$ 1 bilhão. Mas tampouco autorizam o governo a tratar os questionamentos como excesso de bagagem e simplesmente despachá-los para longe do debate público.
Nem aí 3
Transparência não consiste em publicar números dispersos em portais burocráticos e esperar que o cidadão monte sozinho o quebra-cabeça. Prestação de contas significa mostrar, com clareza, quanto foi gasto e qual retorno cada viagem proporcionou à sociedade.
Nem aí 4
O dinheiro usado nas diárias não pertence ao governador, aos secretários nem aos integrantes da comitiva. Sai do bolso da população, a mesma que, muitas vezes, permanece em terra firme aguardando atendimento, segurança e serviços públicos minimamente eficientes.
Nem aí 5
Se o valor próximo de R$ 1 bilhão estiver correto, Marcos Rocha terá de explicar como seu governo conseguiu voar tão alto nos gastos enquanto Rondônia continuou esperando os resultados no chão. Se estiver errado, cabe ao Executivo apresentar os números oficiais e encerrar a controvérsia com documentos, não com silêncio.
Voando
Até que isso aconteça, permanece a imagem de uma administração que parece ter descoberto asas para viajar, mas ainda procura uma bússola para governar.
Sono profundo
Como se a conta das diárias e das viagens já não fosse suficientemente indigesta, o Governo de Rondônia ainda tentou colocar na pista um pregão para contratar uma aeronave executiva por 12 meses. O avião atenderia missões do governador, do vice-governador, da Casa Militar e de outras unidades do Executivo estadual. Pelo visto, viajar com recursos públicos já não bastava: a gestão Marcos Rocha queria elevar o conforto (e a despesa) a uma nova altitude.

Sono profundo 2
A contratação está prevista no Pregão Eletrônico nº 90595/2025, conduzido pela Superintendência Estadual de Gestão dos Gastos Públicos Administrativos (Sugesp). O procedimento entrou no radar do Tribunal de Contas de Rondônia, que finalmente, iniciou fiscalização e identificou possíveis irregularidades na fase inicial do certame.
Sono profundo 3
O detalhe quase cômico, não fosse o dinheiro público envolvido, é o momento desse súbito despertar. A apenas dois meses do fim do desgoverno Marcos Rocha, o TCE-RO resolveu abrir os olhos para uma contratação de aeronave executiva destinada justamente a uma administração que já se aproxima da pista de pouso.
Sono profundo 4
Parece até piada de mau gosto. Depois de anos de questionamentos sobre diárias, viagens e despesas da máquina estadual, o órgão de controle finalmente decidiu pedir documentos. Antes tarde do que nunca, diz o ditado. Para o contribuinte, porém, seria muito melhor se a fiscalização tivesse despertado antes de o governo começar a arrumar as malas.
Acordou tarde
A área técnica do próprio Tribunal chegou a propor a suspensão do pregão. O relator, conselheiro substituto Francisco Júnior Ferreira da Silva (ex-deputado estadual inclusive), entretanto, negou a medida cautelar. Posteriormente, a Sugesp informou que a própria administração estadual havia suspendido o procedimento.
Acordou tarde 2
A nova decisão do TCE-RO não determina a paralisação da licitação, até porque o pregão já havia sido suspenso administrativamente. O objetivo, desta vez, é garantir que os auditores tenham acesso aos documentos necessários para continuar a fiscalização. Em resumo: o Tribunal não mandou parar; apenas quer finalmente enxergar o que está examinando.
Acordou tarde 3
A Sugesp terá 10 dias para liberar acesso temporário e somente para leitura aos servidores do TCE-RO ou encaminhar os documentos por um canal seguro. A área de controle externo, por sua vez, terá cinco dias para indicar quais servidores estarão autorizados a consultar o material.
Acordou tarde 4
Parte dos registros permanecerá sob acesso restrito porque contém informações relacionadas à segurança das autoridades, como nomes de passageiros, itinerários e datas. A proteção desses dados é legítima e necessária. O sigilo, porém, não pode servir como cortina para impedir a fiscalização dos valores, das justificativas e da necessidade da contratação.
Mistério
Depois da liberação dos documentos, o processo retornará à área técnica para a elaboração de um relatório. A decisão, portanto, não conclui que houve irregularidades. Também não significa que a contratação estava correta. Significa apenas que o Tribunal ainda precisa analisar aquilo que já deveria estar plenamente disponível para fiscalização.
Mistério 2
O caso acrescenta mais uma camada ao debate sobre as prioridades da gestão Marcos Rocha. Enquanto a população cobra respostas sobre saúde, educação, segurança e o destino de tantos recursos consumidos por viagens, o governo aparece associado a um pregão para contratar uma aeronave executiva por um ano, período que ultrapassaria, inclusive, os últimos meses da atual administração.
Mistério 3
Resta saber quais necessidades justificariam tamanho conforto aéreo e que benefícios concretos essa contratação traria para o cidadão que permanece no chão, enfrentando os problemas que o governo não conseguiu resolver. Inclusive, este mesmo governo que disse que ia entregar um novo hospital de urgência e emergência, mas inaugurou apenas uma pedra!
Mistério 4
A fiscalização ainda não encontrou culpados nem comprovou irregularidades. Mas já revelou algo constrangedor: faltando dois meses para o encerramento da gestão Marcos Rocha, o controle externo resolveu conferir os documentos de um avião executivo. O governo está quase desembarcando; o TCE, ao que parece, só agora decidiu verificar a passagem. A decisão consta da DM 0202/2026-GCESS, publicada pelo TCE-RO em 16 de outubro de 2026.
Mais gastos internacionais
E, para encerrar esse roteiro aéreo com a grandiosidade que o contribuinte rondoniense jamais pediu, Marcos Rocha prepara mais uma viagem internacional. O destino da vez é a Turquia, para onde o governador deverá embarcar no próximo dia 09 acompanhado de uma comitiva governamental. A permanência está prevista até 20 de novembro.

Séquito governamental
Integram a relação apresentada Rute Carvalho Silva Pedrosa, Alexandre Gonçalves Viana, Maricleide Lima da Fonseca, Rafaely Delmondes da Silva e Valdemir Carlos Goes. O custo informado para a missão chega a R$ 238.585,00, pagos pelos cofres públicos.
Excursão cara
Quase R$ 240 mil por mais uma excursão oficial justamente quando faltam cerca de dois meses para o fim do (des)governo Marcos Rocha. A gestão pode estar encerrando o expediente, mas o passaporte continua trabalhando em ritmo integral.
De fora
A primeira-dama não aparece na composição divulgada. Sua ausência naturalmente alimenta comentários depois de uma viagem recente do governador à China, na qual, segundo as informações apresentadas, ele teria viajado sem a esposa e acompanhado apenas por uma secretária-executiva.
De fora 2
Mas comentários sobre a vida pessoal não podem ser convertidos em fatos sem comprovação. O que está devidamente colocado no debate público é outra coisa: quem viaja, quanto a missão custa e qual resultado concreto será entregue à população.
Mais questionamentos
Essa é a explicação que Rondônia merece. Qual é a finalidade da viagem à Turquia? Que compromissos oficiais estão previstos? Quais benefícios justificam a presença de toda a comitiva? E, principalmente, o que ficará para o estado depois que as malas forem desfeitas e as fotografias protocolares perderem espaço nas redes sociais?
Bundalelê
A estimativa de que o atual governo tenha gasto mais de R$ 1 bilhão com passagens, diárias e hospedagens continua dependendo de confirmação por documentos oficiais. O número não deve ser apresentado como fato consumado antes dessa comprovação. Ainda assim, a sucessão de viagens e o novo desembolso de R$ 238.585,00 justificam cobrança rigorosa por transparência e resultados.
Povo que se lasque
O contraste é difícil de ignorar. De um lado, uma comitiva a caminho da Turquia, com despesas bancadas pelo Estado. Do outro, pacientes enfrentando hospitais públicos onde, segundo a denúncia apresentada, falta até ventilador. O governo encontrou recursos para cruzar continentes, mas ainda tropeça quando precisa oferecer condições elementares a quem depende da rede pública de saúde.
Prioridades, meu bem
Talvez seja essa a grande especialidade da gestão Marcos Rocha: transformar aeroportos em prioridade e necessidades básicas em sala de espera. Para determinados integrantes do governo, há passagem, diária, hospedagem e agenda internacional. Para o paciente, resta torcer para que apareça um ventilador. E, se possível, antes de o governador retornar da Turquia.
Sem retorno
A viagem pode até possuir justificativa oficial e produzir algum resultado. Cabe ao governo apresentá-los com clareza, documentos e números. Porque, depois de tantos embarques, a população já não precisa de mais fotografias diante de bandeiras estrangeiras. Precisa saber por que pagou a conta e o que recebeu em troca.
Sem retorno 2
Enquanto Rondônia continua no chão, lidando com hospitais precários e serviços públicos deficientes, o pior governador da história encerra sua gestão (GRAÇAS A DEUS!) como começou boa parte dela: de malas prontas. O governo está perto do fim, mas a farra aérea, essa, aparentemente ainda não encontrou sua pista de pouso.
*Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.



