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A Revolução do Pronto-Socorro na Zona Leste: Finalmente, o Povo Deixou de Ser Número na Fila da Saúde

Há 32 anos, seu Raimundo Edson, 71 anos, aposentado, morador do bairro Marcos Freire, aprendeu a conviver com o descaso. Como tantos brasileiros, ele sabia que, se um dia um infarto ou um AVC batesse à porta, a jornada seria dupla: primeiro, a dor no peito; depois, a via-crúcis até um atendimento digno. Mas neste sábado, 14 de março de 2026, a história começou a mudar. E não é promessa de político em palanque – é pedra, cal, e 1.550 metros quadrados de estrutura nova.

A Prefeitura de Porto Velho entregou a UPA 24h Dr. José Adelino da Silva. E não é uma simples troca de placa. É a transformação de um antigo PA apertado, lá no bairro Ulisses Guimarães, num verdadeiro pronto-socorro de portas abertas. Agora, na rua Colatina, 2031, o que se vê é uma unidade com três consultórios, sala vermelha com dois leitos para os casos mais graves, observação ampliada, salas de medicação, e até estacionamento exclusivo para ambulâncias. Pois é, até as ambulâncias ganharam um lugar ao sol.

Mas o que realmente muda na vida de seu Raimundo e de outros 140 mil moradores da zona Leste? Tudo. “A gente sabe como era difícil. Demorava muito. Agora ficou mais perto e com estrutura melhor. A gente fica feliz porque, quando precisar, o atendimento vai ser mais rápido”, disse ele, com a sabedoria de quem já viu promessas virarem pó.

E não para por aí. A UPA ganhou um reforço de peso: uma base descentralizada do Samu. Antes, as ambulâncias partiam de um ponto a mais de dez quilômetros. Minutos preciosos perdidos no trânsito caótico. Agora, a resposta é mais rápida. E em emergência, tempo é vida. Como lembrou o secretário municipal de Saúde, Jaime Gazola: “Isso pode fazer diferença para salvar vidas”.

A unidade funcionava num espaço minúsculo, apertado, onde pacientes e servidores se espremiam. Hoje, são 130 funcionários, cerca de 30 por turno, preparados para atender até 500 pessoas por dia. Sim, 500! A diretora Cristiane Diniz não esconde o orgulho: “A tendência é chegar a 500 atendimentos diários”. E ela faz questão de explicar: a antiga unidade básica no Ulisses Guimarães continua firme, mas agora para consultas e ambulatório. Urgência e emergência é aqui, na nova UPA.

E o prefeito Léo Moraes, com a caneta na mão e os pés no chão, lembrou o óbvio, que muitas vezes é esquecido: “Estamos dando dignidade para quem precisa do serviço público”. A tal da dignidade, que deveria ser padrão, mas virou luxo num país onde a saúde pública sempre foi tratada como parente pobre.

Ah, e tem mais: com a nova estrutura, a Prefeitura se adequa ao padrão do Ministério da Saúde. Ou seja, agora pode buscar recursos federais para manter a máquina funcionando. Porque UPA não é só parede bonita, é dinheiro pra insumo, pra remédio, pra salário.

Porto Velho deu um passo. Um passo grande, daqueles que a população sente no bolso e no corpo. Seu Raimundo, que esperou 32 anos, finalmente pode dormir sossegado: se o aperto no peito vier, tem um lugar perto, com gente preparada e uma vaga na sala vermelha. Não é o fim da fila, mas é o começo de um atendimento que trata o pobre como cidadão. E isso, no Brasil, ainda é revolução.

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