Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona: PF amplia cerco na Operação Reduto e investiga possível vazamento antes de buscas contra núcleo ligado a Alex Redano
Nova ofensiva cumpriu 11 mandados e avança sobre suspeitas de “rachadinha”, fraudes em contratos e movimentações superiores a R$ 9 milhões; já ex-governador em exercício Marcos Rocha passa mais de sete meses fora de RO e viagens custam quase R$ 10 milhões

Homens de preto
Equipes da Polícia Federal cumpriram 11 mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (18) em endereços relacionados ao presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), deputado Alex Redano (Republicanos), à prefeita de Ariquemes, Carla Redano, além de assessores e outros investigados.
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As novas diligências ampliam as apurações sobre a gestão de servidores comissionados e contratos públicos envolvendo estruturas administrativas no interior do estado e na capital. As investigações concentram-se em suspeitas de desvio de recursos públicos por meio da prática conhecida como “rachadinha”, além de possíveis irregularidades em procedimentos licitatórios.
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Em Ariquemes, a operação também envolveu quatro pedidos de prisão e buscas em diferentes endereços, entre eles a residência de um advogado ligado ao deputado estadual. Um dos novos e mais sensíveis desdobramentos da investigação, entretanto, está relacionado à suspeita de que informações sigilosas sobre a operação tenham vazado antes do cumprimento das medidas judiciais.
Vazamentos
A Operação Reduto foi oficialmente deflagrada em 09 de julho de 2026, com desdobramentos investigativos nos dias seguintes. Relatos obtidos nos bastidores apontam que movimentações consideradas atípicas teriam ocorrido na véspera da ação policial, circunstância que passou a integrar uma frente específica de apuração.
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Entre os episódios que chamaram a atenção está o cancelamento de uma agenda política por Alex Redano na noite anterior às diligências. O parlamentar não compareceu a um jantar do Republicanos, sob a justificativa de uma questão familiar.
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A ausência, diante dos acontecimentos posteriores, passou a ser analisada no contexto da investigação sobre um eventual conhecimento antecipado da operação. O episódio, por si só, não comprova que o deputado tivesse recebido informação privilegiada.
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A suspeita de quebra do sigilo ganhou relevância porque eventual vazamento poderia comprometer justamente um dos elementos fundamentais desse tipo de diligência: o fator surpresa. A Polícia Federal e órgãos ministeriais passaram, então, a investigar se informações sobre o cronograma da operação foram antecipadamente repassadas a pessoas que seriam alcançadas pelas medidas.
Desdobramentos
Segundo as informações divulgadas sobre as diligências da última sexta-feira, a nova etapa procura identificar tanto a possível origem do vazamento quanto o caminho percorrido pelas informações sigilosas até chegarem aos eventuais destinatários. Os investigadores também buscam novos elementos para aprofundar as apurações já em andamento.
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Essa frente investiga possíveis crimes relacionados à violação de sigilo funcional, obstrução de investigação de organização criminosa e fraude processual. A existência da apuração, porém, não significa que essas condutas já estejam comprovadas ou que possam ser automaticamente atribuídas aos investigados.
Milhões
Outro eixo relevante envolve a movimentação financeira identificada durante as investigações. Relatórios de inteligência financeira analisados pela Polícia Federal teriam apontado transações consideradas atípicas que, somadas, ultrapassariam R$ 9 milhões. Os investigadores procuram esclarecer a origem, os destinatários e a compatibilidade dessas operações com a capacidade financeira e patrimonial declarada das pessoas envolvidas.

Sem saída
Como parte das medidas cautelares, a Justiça também determinou bloqueios patrimoniais de investigados. O objetivo desse tipo de providência é preservar recursos e possibilitar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso, ao final dos processos, sejam reconhecidos prejuízos provocados pelas condutas investigadas.
Impedimentos
A operação também provocou reflexos dentro da estrutura administrativa da Assembleia Legislativa. As diligências foram acompanhadas por afastamentos cautelares e movimentações envolvendo o secretário-geral da Casa, Rogério Gago, conhecido como “Tigrão”, citado como uma das figuras relevantes para o funcionamento administrativo do Legislativo estadual.
Detalhes
Paralelamente, a suspeita de vazamento permanece como uma das frentes que podem ampliar o alcance da Operação Reduto. A investigação busca esclarecer se alguém com acesso a informações reservadas antecipou detalhes das diligências e, em caso positivo, quem teria recebido esses dados e se houve alguma ação posterior destinada a dificultar a obtenção de provas.
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As suspeitas envolvendo eventual conhecimento antecipado da operação, movimentação de ativos ou combinação de versões ainda dependem de comprovação. Da mesma forma, o cumprimento de mandados de busca, bloqueios patrimoniais ou outras medidas cautelares não representa condenação nem comprovação automática dos crimes investigados.
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As responsabilidades deverão ser individualizadas no decorrer das investigações e, posteriormente, submetidas à análise da Justiça, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Silêncio
O espaço permanece aberto para manifestações de Alex Redano, Carla Redano e dos demais citados na Operação Reduto. Até o fechamento desta coluna, não havia sido divulgada uma manifestação oficial conjunta da Mesa Diretora da Alero ou das defesas sobre a íntegra dos elementos relacionados às movimentações financeiras superiores a R$ 9 milhões.
Turismo público
Viajar é bom. Conhecer novos países, atravessar continentes, visitar Estados Unidos, Israel, China e Europa é melhor ainda. E quando a conta pode chegar aos cofres públicos, a experiência internacional ganha um charme adicional.

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Em Rondônia, o governador Marcos Rocha (PSD) parece ter levado bastante a sério a ideia de colocar o Estado no mapa-múndi. Ao longo de seus dois mandatos, o chefe do Executivo passou pelo menos 227 dias fora do Brasil ou mais de sete meses, em viagens que alcançaram 18 países distribuídos por três continentes.
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A conta desse invejável currículo de milhagem? Mais de R$ 7 milhões em recursos públicos, considerando as despesas das viagens internacionais informadas no levantamento. É praticamente um intercâmbio governamental. Só faltou o contribuinte receber o certificado.
Ausência
Os números ajudam a dimensionar a vocação internacional da administração. Em aproximadamente sete anos e meio de mandato, Marcos Rocha permaneceu fora do país durante o equivalente a sete meses e meio. Na média, são cerca de 30 dias no exterior por ano.
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Enquanto isso, o rondoniense continua fazendo um tipo bem menos glamouroso de turismo: sai do interior para Porto Velho atrás de atendimento médico, enfrenta estradas, ambulâncias e horas de espera nos serviços públicos. Não tem conexão internacional, sala VIP nem fotografia oficial. Tem senha.
Mais de R$ 600 mil
De acordo com os números levantados no Portal da Transparência do Governo, somente as diárias destinadas a Marcos Rocha durante as viagens internacionais ultrapassaram R$ 600 mil. Considerando os 227 dias apontados no levantamento, o valor corresponde a aproximadamente R$ 2.643 por dia. É aí que a viagem fica ainda mais interessante.
Mais grana
E nessa conta ainda nem entrou a recente viagem (mais uma) internacional de Marcos Rocha e companhia ilimitada para Singapura, onde ele (desta vez) levou o jornalista/secretário estadual de Agricultura, Luís Paulo. O motivo da viagem? Ninguém sabe. Mas dizem que foi para mais uma feira, onde novamente, Rocha levou o tambaqui de Rondônia para passear em alguma caixa de isopor.
Na liseira
O Censo de 2022 do IBGE apontou uma realidade econômica muito diferente para a população rondoniense. Segundo os dados apresentados no levantamento, a renda per capita mensal no Estado era de R$ 1.991, enquanto mais de 30% dos rondonienses viviam com renda per capita mensal de R$ 486.
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Ou seja: em determinadas viagens, uma única diária recebida pelo governador superava aquilo que parcela significativa da população tinha para atravessar o mês inteiro. Realmente, existem várias Rondônias. Em uma delas, R$ 486 ajudam uma família a colocar comida na mesa. Na outra, R$ 2.643 ajudam a atravessar mais um dia de agenda internacional.

Milhões e milhões
Somadas as despesas relacionadas às viagens internacionais, o custo ultrapassa R$ 7 milhões, segundo o levantamento. Dividido pela população do Estado, o valor equivale a aproximadamente R$ 4 por habitante. Quatro reais parecem pouco.
Faz falta
Mas experimente multiplicá-los por mais de 1,5 milhão de rondonienses. É assim que aquela moedinha aparentemente insignificante se transforma em uma conta milionária.
Nada x nada
Naturalmente, viagens oficiais podem fazer parte das atribuições de qualquer governador. Missões institucionais podem buscar investimentos, estabelecer relações comerciais e abrir mercados. O ponto que precisa ser respondido é outro: quais resultados concretos esses R$ 7 milhões produziram para Rondônia?
Perguntas
Quanto entrou efetivamente em investimentos? Quantos empregos foram criados? Quais contratos foram assinados? Quais empresas chegaram ao Estado diretamente em razão dessas missões? Porque fotografia de comitiva é lembrança de viagem. Resultado econômico exige número. O governador viaja; o contribuinte acompanha pela internet.
Dilemas
O contraste fica ainda mais indigesto quando colocado diante dos problemas enfrentados diariamente pela população. Hospitais pressionados, pacientes aguardando atendimento, infraestrutura deficiente e cidadãos obrigados a percorrer centenas de quilômetros em busca de serviços públicos convivem com uma administração cujo governador acumulou 227 dias de viagens internacionais.
Resultados
Nada disso significa, isoladamente, que cada missão tenha sido desnecessária ou irregular. O que os números justificam (e com sobra) é uma prestação de contas detalhada sobre os benefícios proporcionados por cada uma delas. Afinal, se Rondônia bancou mais de R$ 7 milhões para colocar o governo na estrada (ou melhor, nos aeroportos), é razoável querer saber o que voltou na bagagem.
Meio lá, meio cá
Curiosamente, apesar de todo esse passaporte carimbado, Marcos Rocha mantém avaliação positiva de parcela razoável da população. Pesquisa Quaest divulgada em agosto de 2026, conforme os dados apresentados, apontou 46% de aprovação e 38% de desaprovação.
Forasteiro visitante
Talvez seja a confirmação de que o rondoniense é mesmo um povo hospitaleiro. Tão hospitaleiro que, aparentemente, não se importa nem quando é o governador quem passa boa parte do tempo hospedado fora.
*Parte desta coluna foi escrita com informações publicadas pela Coluna da Hora, escrita por Paulo Mendes e Géri Anderson, no dia 01 de setembro. E pelo portal 364 na última sexta-feira (18).
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