Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
DESDÉM: Setor de comunicação não é o mais importante nem prioridade para Marcos Rocha
Governador que gosta de ser chamado de coronel (mas nunca comandou um batalhão), resolve entregar Secom na mão de pessoas sem formação e sem qualquer tipo de experiência

Escárnio
Pode ser deboche, desrespeito, desapreço, descaso, desvalorização, indiferença, pouco-caso ou menosprezo. São todas sinônimas do subtítulo que abre a coluna. E é assim que o governador Marcos Rocha trata sua comunicação institucional. Elevada à condição de secretaria, desde o segundo ano da sua administração, ele resolveu não colocar jornalistas ou especialistas em comunicação nos dois principais cargos da Secom.
Escárnio 2
Depois da saída do jornalista Lenílson Guedes, quem assumiu foi Rosângela Silva, que ficou até o dia 12 de agosto. Foram quatro anos e sete meses como gestora. Tem formação como administradora com ênfase em marketing e trabalhava na área comercial de uma emissora de TV. Por isso que o coronel (que gosta de ser chamado assim, mas nunca comandou um batalhão), prefere as redes sociais.

Escárnio 3
De quebra, ainda tinha como adjunta Diana Abichabki, que ninguém sabe de onde veio e qual sua formação. Eu por exemplo, nunca a vi acompanhando o governador. Só representava a Secom em um ou outro evento fora de RO quando Rosângela não podia ir. A informação que todo mundo sabe é que Rosângela foi indicação do então secretário-chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves.
Escárnio 4
E em 2025, Rosângela foi sendo “frita” desde a saída de Júnior do governo, justamente por ter sido levada por ele para lá. Vários nomes foram cogitados para assumir a principal vaga da Secom. Porém, o “brilhante” Marcos Rocha teve uma solução caseira: alçou para a secretaria seu vídeomaker, fotógrafo e fiel escudeiro de viagens internacionais, Renan Fernandes.
Escárnio 5
Ele se junta à turma que ninguém sabe qual a formação. Perguntei para várias pessoas de dentro e fora do Executivo estadual e ninguém bateu martelo. Uma me disse que era publicitário. Outra que PODERIA SER jornalista. A única coisa que é certa é que ele ganhou MUITO DINHEIRO viajando com o governador para cima e para baixo. E agora, parece que vai sossegar um pouco.

Escárnio 6
A pá de cal foi indicar um aliado de primeira hora, que defende o governador e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em grupos de WhatsApp como se fosse seu parente: Francisco Holanda Iananes de Oliveira, mais conhecido como Chico Holanda. Dono de uma papelaria antiga de Porto Velho, também não se sabe qual a experiência ou formação que o levou para a Secom.
Escárnio 7
O que se sabe é que Chico Holanda é organizador de atos pró-bolsonaro e pela anistia dos golpistas que estiveram em Brasília no dia 08 de janeiro de 2023. Talvez sua experiência com comunicação seja ter participado de alguns programas de debates políticos na RemaTV (canal 5) e por ficar por várias horas protegendo Bolsonaro das críticas nas redes sociais e na televisão.
De boa
Mas Rosângela e Diana não ficaram desamparadas. Vão continuar ganhando bons salários em cargos de assessoras especiais dentro do antigo CPA mesmo (hoje Palácio Rio Madeira). E ninguém sabe que rumos a Secom vai seguir nas mãos de Renan e de Chico Holanda, com larga experiência de relacionamento com a imprensa em geral (contém ironia), que anda bem insatisfeita.
Exclusão
Segundo conversas que tive com alguns pequenos empresários da própria comunicação rondoniense, a Secom sempre priorizou os grandes veículos, como sites e emissoras de televisão. Pagando gordas verbas publicitárias para alguns escolhidos a dedo e excluindo sites com alguma audiência, mas não tão conhecidos.

Exclusão 2
Um deles disse que ficou por três horas esperando Rosângela para uma reunião. Mesmo após esse tempo, a então secretária o recebeu por pouco mais de 5 minutos e praticamente enxotou o dono de uma pequena emissora de televisão e site. Colocou mil e uma dificuldades e sequer passou o contato do responsável pela agência que cuida da mídia governamental para fazer cadastro.
Cheirinho ruim
Ainda há uma investigação envolvendo um político de alto escalão (que não está mais no governo), um vereador e tantos outros com dedo na história. O Ministério Público Estadual está apurando sites de fachada (pelo menos 40), que eram criados apenas para receber verba institucional do Governo do Estado.
Cheirinho ruim 2
Quando necessário, o tal político de alto escalão mandava “descer o pau” em deputados estaduais, adversários em geral e até colegas do próprio governo que não fizessem o que ele queria. No final das contas, todo o bolo de dinheiro gerado pela prática era dividido entre a tal eminência parda e o parlamentar. Creio que isso vai acabar fedendo para todo mundo.

Queda
Um dos motivos mais recentes ventilados para a queda de Rosângela Silva é a greve da educação. Segundo alguns veículos de imprensa do interior do estado, houve uma insatisfação e críticas públicas sobre a falta de divulgação sobre as ações do próprio governo e da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Isso contribuiu para a dispensa então titular da Secom.
Queda 2
O radialista e apresentador de TV, Isak Laurentino, em conversa com representantes da greve no Cone Sul de Rondônia, falou sobre a falta de comunicados oficiais sobre o tema, além dos gastos do governador e seus assessores (incluindo Renan Fernandes) com diárias internacionais. Houve repercussão com a colocação e expôs o distanciamento do governo com a população.

Queda 3
A greve da educação, também contribuiu para o desgaste de Rosângela, Diana e companhia. Outra que também deve ser impactada é Ana Pacini, atual secretária de Educação, que é acusada de perseguição a servidores e de prática sistemática de assédio moral. Há boatos que ela seja exonerada nos próximos dias ou semanas.
Burocracia
Voltando a Secom: eu mesmo já fui atingido por diversas vezes por uma burocracia desnecessária do setor. Em tempos de hard news/rapidez, a Secom já demorou até QUATRO DIAS para me dar uma resposta sobre uma demanda gravíssima envolvendo (de novo), o Hospital e Pronto Socorro João Paulo II. Isso só demonstra o descompromisso de Marcos Rocha com a imprensa.
Burocracia 2
Até no governo Ivo Cassol, que era um homem mais rústico, a comunicação funcionava bem. Cada assessor era responsável por sua secretaria. Quem fizesse bobagem, era exonerado e ponto final. Agora, tudo é centralizado na Secom. Não basta falar com o assessor de imprensa da secretaria em si por telefone/WhatsApp. Tem que mandar um e-mail para ele/ela, que encaminha para a Secom.
Burocracia digital
A tecnologia que deveria servir para encurtar distâncias e prazos, não serve para porcaria nenhuma. Mesmo enviando o pedido de resposta (que deveria interessar ao governo ou secretaria), você tem que ficar “adulando” para que o assessor envie a resposta a tempo para que sua reportagem saia completa, ouvindo todos os envolvidos.
Burocracia digital 2
No meu caso, como o fato era urgente, envolvendo alimentação precária no João Paulo II, eu não poderia esperar mais do que horas. A denúncia que me foi enviada pela manhã e, no final da tarde, já estava publicada. As pessoas não podiam aguardar tanto. Porém, para a comunicação do Governo do Estado, o que são quatro dias né?
Burocracia digital 3
Quando eu recebi a resposta quase uma semana depois, ainda tentaram se explicar dando os motivos da demora: produzimos a nota, que tem que ser aprovada pela chefia. Aí é enviada para a Casa Civil, que também aprova e repassa para os advogados (da Casa Civil). Depois disso tudo, aí que revisamos novamente e liberamos para o veículo de imprensa.
Ou burrocracia?
Mesmo vendo que não era culpa da colega jornalista que estava falando comigo, eu fui claro: isso é um belíssimo exemplo de BURROCRACIA. A população não pode esperar esse sobe e desce de arquivos digitais para dar uma resposta urgente para as demandas. E falei isso diversas vezes. Mas o tempo do pessoal do serviço público é bem, bem diferente da maioria da sociedade. E trabalhamos muito duro para pagar os impostos, que financiam os altos salários dessa turma.
Exemplo copiado
Não é só Marcos Rocha que está pouco se lixando para a comunicação institucional (dele mesmo). O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), nomeou o ex-vereador Jurandir Bengala, aquele que já foi do PT e hoje é do PL, como assessor especial no gabinete da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom). Aí eu pergunto: fora ser vereador, o que o “Bengala” fez como comunicador ou comunicólogo?

Exemplo copiado 2
Enquanto temos bons jornalistas passando necessidade ou contando as moedas para pagar as contas básicas, o ex-vereador Jurandir Bengala vai ganhar um DAS-11, cujo salário-base é de R$ 11.450,30. De verdade, estou ansioso para saber quais são as brilhantes ideias que ele tem para a comunicação do tiktoker Léo. Ah, acho que com esse salário, Bengala vai poder pagar uma boa fonoaudióloga, pois assim vamos enfim, conseguir entender o que ele fala.
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