Na reta final da COP30, cresce pressão por corte de fósseis e avanço em adaptação
Jovens intensificam atos na Zona Azul, enquanto países latino-americanos cobram recursos para adaptação; restrições a manifestações externas seguem no centro das críticas

Felipe Corona – Enviado especial TVC Amazônia
Belém (PA) — A três dias do encerramento da COP30, a cobrança por decisões concretas sobre a transição energética voltou a dominar o cenário na Zona Azul, onde manifestantes jovens realizaram novo protesto nesta quarta-feira (19).
O grupo pediu o abandono dos combustíveis fósseis e uma Amazônia livre de petróleo, enviando um recado direto às delegações que ainda não chegaram a um acordo sobre o texto-base da conferência.
Mesmo com maior mobilização, as manifestações seguem confinadas ao espaço autorizado pela ONU, acessível apenas a quem possui credenciamento. Isso mantém afastados povos indígenas, comunidades periféricas e grupos tradicionais das áreas mais próximas ao Centro de Convenções de Belém, reduzindo a projeção de vozes historicamente impactadas pela crise climática. A limitação tem provocado críticas recorrentes desde os primeiros dias da conferência.

Com o prazo se aproximando do fim, os 195 países participantes ainda demonstram dificuldade em avançar sobre o documento apresentado pela presidência brasileira, que reúne 58 diretrizes consideradas fundamentais para o êxito da COP30. A expectativa é de que algum avanço ocorra até o final desta quarta-feira.
Debates do dia
No evento “Mulheres: vozes que guiam o futuro”, realizado dentro da Zona Azul, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu a valorização dos conhecimentos comunitários — sobretudo aqueles compartilhados por mulheres — como base estratégica para políticas climáticas mais eficazes.

Marina voltou a insistir na necessidade de fortalecer o Mapa do Caminho para o abandono progressivo dos combustíveis fósseis. “As soluções técnicas já existem; o que falta é compromisso político e ético”, afirmou.
Paralelamente, representantes de Uruguai, México, Guatemala, Costa Rica, Peru e Chile reforçaram a urgência de tratar a adaptação como prioridade. O grupo cobrou que países desenvolvidos ampliem e facilitem o acesso ao financiamento climático para nações em desenvolvimento, garantindo “equidade e acessibilidade”.

Participaram do encontro:
• Edgardo Ortuño Silva, ministro do Ambiente do Uruguai
• Maisa Rojas, ministra do Meio Ambiente do Chile
• Erdwin Josué Castellanos, vice-ministro de Recursos Naturais e Mudança Climática da Guatemala
• Romina Caminada, vice-ministra de Desenvolvimento Estratégico de Recursos Naturais do Peru
• Alicia Bárcena, secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México
• Giovanna Valverde Stark, chefe da delegação da Chancelaria da Costa Rica
Com negociações estagnadas e protestos ainda restritos, a COP30 chega a seus momentos decisivos sob forte pressão para que governos assumam compromissos reais — compatíveis com a urgência do colapso climático que se agrava ano após ano.



