Itaú Cultural Play recebe filmes da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e da Parada de Cinema
Programação reúne 38 filmes de diferentes regiões do país, com histórias sobre relações familiares, culturas indígenas e afro-brasileiras, inclusão, memória, identidade e tradições populares

Da assessoria
A partir de 9 de outubro (sexta-feira), a Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema brasileiro, recebe duas novas seleções. No próprio dia 9, entram na programação 28 filmes da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.
No dia 11, é a vez dos 10 curtas-metragens da 9ª edição da Parada de Cinema. As duas seleções ficam disponíveis na plataforma até 31 de outubro e reúnem produções de diferentes regiões do país, linguagens e propostas narrativas, com histórias que abordam infância, ancestralidade, inclusão, memória, identidade e cultura popular.
Realizada presencialmente de 9 a 17 de outubro, em Florianópolis (SC), a 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis promove o acesso de crianças ao cinema brasileiro e valoriza produções de diferentes origens, linguagens e perspectivas sobre as infâncias.
A parceria com a Itaú Cultural Play amplia a circulação dos filmes, permitindo que as obras cheguem a públicos de outras regiões do país. A mostra também conta com a entrega do Prêmio Itaú Cultural Play, que reconhece uma produção da programação.
Ainda, a IC Play disponibiliza 10 curtas-metragens piauienses da 9ª Parada de Cinema — Mostra de Cinema Brasileiro Contemporâneo, que acontece presencialmente de 7 a 10 de outubro, em Teresina. Produzidos entre 1982 e 2026, os filmes percorrem diferentes períodos e aspectos da produção audiovisual do estado, passando por cultura popular, música, religiosidade, memória, identidade e transformações urbanas.
Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis
Entre as produções que chegam à plataforma estão histórias que abordam relações familiares, imaginação, ancestralidade, inclusão, identidade e questões sociais, apresentadas a partir do olhar das crianças. A seleção reúne filmes de diferentes estados brasileiros, como Minas Gerais, Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul, Tocantins, Rondônia, Espírito Santo e Santa Catarina, entre outros.
Em A casa de Dalva (MG, 2026), de Tânia Cristina Dias e Eduarda Gurgel, a relação entre uma avó e seu neto ganha contornos simbólicos. A visita inesperada que desorganiza a casa é uma representação do Alzheimer, personificado pelo personagem Senhor Alzheimer. O curta utiliza a própria casa como metáfora para a memória de Dalva e constrói, a partir da perspectiva infantil, uma reflexão sensível sobre os impactos da doença.
A relação entre crianças, brincadeira e educação aparece em A Escola de Ensino Fenomenal II (PR, 2024), de Nélio Eduardo Spréa e Levi Brandão. A brincadeira do bate-copos se espalha pela escola e provoca a reação de uma professora e do diretor Fifi. A produção propõe uma reflexão sobre o papel da música e do movimento na infância e sobre o equilíbrio entre tecnologia, brincadeira e arte no desenvolvimento das novas gerações.
Em Curumim no Jalapão (TO, 2025), de Nival Correia, a cultura indígena e as paisagens do Tocantins aparecem em uma aventura protagonizada por Curumim, jovem indígena Xerente que percorre o Jalapão acompanhado pelos passarinhos João Congo e Maritaca. A narrativa apresenta fervedouros (nascentes de água fervente), dunas, cachoeiras e outros elementos do cerrado, articulando fantasia, música e aprendizado. A produção também aborda a preservação ambiental, o respeito às culturas tradicionais e a valorização dos saberes indígenas. A trilha sonora original conta com a canção Palavras de Curumim, interpretada pelo cantor e compositor Dorivã, o Passarim do Jalapão.
A ancestralidade também está no centro de Kagpó-Jó A Origem (SC, 2026), de Jucelino Senei Filho. Inspirado em contos indígenas Macuxi, Wapichana, Taurepang e Laklãnõ-Xokleng, o filme apresenta a história dos espíritos criadores Waarara e Kandawara e a origem do mundo.
Por sua vez, Orí de Êre, de Aggy Mc, acompanha três crianças negras de Cachoeira, na Bahia, entre brincadeiras e descobertas. Ana, Juninho e Luiz encontram na rua um espaço de imaginação e convivência, enquanto a narrativa aproxima infância, cultura negra e ancestralidade. O trabalho do diretor é marcado por narrativas de resistência e pela presença da cultura hip-hop.
Voltado à representação de diferentes experiências de infância, Menina de asas (RS, 2025), de Luciana Druzina, apresenta Rute, uma menina que vive em um reino onde todos nascem de ovos e têm asas. Nascida do ventre da mãe e incapaz de voar, ela esconde sua diferença sob uma capa lilás até descobrir que sua força está na imaginação. Produzido no Rio Grande do Sul, o curta foi vencedor de Melhor Filme na categoria Infâncias na Tela da 4ª Mostra de Cinema Chica Pelega e segue em circuito de festivais.
A seleção inclui ainda Peixe seco e defumado (SC, 2026), de Denis Souza, produção de Santa Catarina inspirada nas memórias da pescadora Sirlene e na tradição oral do litoral de São Francisco do Sul. A animação digital em 2D acompanha o preparo da cambira, desde a pesca da tainha e a defumação até a comercialização, valorizando as lendas e a cultura da pesca artesanal da região.
Parada de Cinema
A seleção da Parada de Cinema, que reúne 10 curtas-metragens produzidos no Piauí, percorre diferentes períodos e linguagens do cinema piauiense, aproximando registros históricos, cultura popular, música, religiosidade, memória, juventude e transformações urbanas.
Entre os filmes está Relógio do Sol, do Grupo Mel de Abelha, realizado em 1982. Concebido por Luís Carlos Sales como um filme didático, o curta acompanha a construção de um instrumento que indica as horas por meio da sombra, no encontro dos rios Poti e Parnaíba. A produção combina astronomia e geometria com a experiência dos integrantes do coletivo, formado por estudantes de Engenharia Civil e aprendizes de cinema ligados ao Cineclube Teresinense.
A cultura popular e a memória afrodescendente aparecem em O Pagode de Amarante, primeira direção de Dácia Ibiapina, realizada em 1984. No documentário, Chico Dedinho apresenta o seu bairro e convida o público para o pagode. A câmera registra a roda, os músicos, os dançarinos e o preparo da comida, enquanto depoimentos revelam a preocupação, já naquele momento, com o possível desaparecimento da tradição. Filmado no terreiro da casa de João Bitu, o curta registra uma prática que reunia diferentes gerações.
Em Inocêncio, o Santo do Sertão (2026), de Márcio Bigly e José Quaresma, a trajetória de Dom Inocêncio López Santamaria é contada a partir das memórias de moradores do sertão do Piauí. Bispo espanhol, ele passou 27 anos no estado, atuando no combate à fome, à seca e ao analfabetismo. Gravado em São Raimundo Nonato, o documentário reúne imagens do sertão e relatos de moradores sobre a atuação do religioso e a devoção que permanece viva décadas após sua morte, enquanto seu processo formal de beatificação é analisado pelo Vaticano.
A música também conduz a narrativa de O Seresteiro (2026), de José Quaresma. O filme acompanha Geraldo, saxofonista que viaja até União, no Piauí, para cumprir uma promessa feita ao avô antes de sua morte: tocar para as almas de um cemitério. Depois de ser abordado por um assaltante, o músico consegue realizar sua missão, mas o desaparecimento do homem e os sons que vêm das proximidades transformam a noite em uma experiência misteriosa. O curta constrói um drama místico sobre a ligação entre vivos e mortos por meio da música.
A cena cultural contemporânea de Teresina é tema de SK8THE: Teresina e o Skate (2025), de Mariana Medeiros. A partir do olhar da diretora, skatista e jornalista piauiense, o documentário revisita a origem e as transformações do skate na capital desde os anos 1980. Depoimentos, memórias e experiências pessoais traçam uma história marcada por pertencimento, resistência e ocupação dos espaços urbanos, com destaque para a presença feminina e para o coletivo MermãSk8Crew.
Boi Romeiro (2025), de Milena Rocha, parte de uma jornada para abordar memória, luto, fé e devoção. Guiado por um sonho, Mestre Junim percorre o interior do Piauí para cumprir uma promessa feita por seu pai. As toadas do boi Mimo de Santa Cruz conduzem a narrativa e revelam a força de uma tradição transmitida entre gerações. O documentário foi selecionado para o 9º Festival Internacional de Cinema de Folclore, na Índia, e passou por festivais na França e na Espanha.
As fichas completas dos filmes da 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e da 9ª edição da Parada de Cinema, com sinopses, duração, direção, classificação indicativa e demais informações, estão disponíveis em arquivo complementar para consulta.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Parte do conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas Claro TV+, SKY+ e Watch Brasil.
SERVIÇO:
Mostra Cinema Infantil de Florianópolis
9 a 31 de outubro
Na Itaú Cultural Play: www.itauculturalplay.com.br
Parada de Cinema
11 a 31 de outubro
Na Itaú Cultural Play: www.itauculturalplay.com.br



