Déficit de policiais militares nas ruas agrava cenário da violência em Rondônia
Corporação opera com cerca de 4,7 mil policiais na ativa, número bem abaixo do efetivo previsto de 8.364 militares

Da redação TVC Amazônia*
Rondônia enfrenta um novo avanço da violência, impulsionado principalmente pelos confrontos entre facções criminosas que disputam espaço no estado. Dados do Observatório Estadual de Segurança Pública, vinculado à Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), apontam que 160 mortes violentas foram registradas entre janeiro e junho deste ano.
Desse total, 137 foram homicídios dolosos, quando há intenção de matar. Porto Velho concentra o maior número de ocorrências, com 42 assassinatos, seguida por Vilhena, com 13, e Cacoal, com nove.
O cenário lembra a escalada de violência registrada em janeiro de 2025, quando ataques promovidos por organizações criminosas deixaram a capital em estado de alerta. Na ocasião, homicídios, incêndios de veículos e outras ações coordenadas espalharam medo entre os moradores.
Naquele período, a resposta das forças de segurança incluiu o reforço do policiamento ostensivo, com a transferência temporária de policiais militares que atuavam em funções administrativas para o trabalho nas ruas. A medida ampliou a presença da PM nos bairros e contribuiu para conter a ofensiva criminosa.
Passado pouco mais de um ano, entretanto, parte desse efetivo retornou às atividades burocráticas em órgãos públicos, reduzindo novamente o número de policiais disponíveis para o patrulhamento ostensivo.

Efetivo abaixo do previsto
Segundo fontes da própria Polícia Militar, Rondônia possui atualmente cerca de 4.710 policiais militares na ativa. O número está muito abaixo do efetivo previsto em lei, que é de 8.364 militares. A situação é agravada pela ausência de concursos públicos para recomposição da tropa há mais de uma década.
Além do déficit, 463 policiais militares estão cedidos para exercer funções em diferentes órgãos públicos, como Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Ministério Público, Sesdec, secretarias estaduais, prefeituras e outras instituições.
Na prática, considerando férias, licenças médicas, afastamentos administrativos e outras situações, fontes da corporação estimam que aproximadamente 700 policiais militares estejam diariamente disponíveis para o policiamento ostensivo nos 52 municípios rondonienses.
Especialista defende revisão das cessões
Um policial com amplo conhecimento da estrutura da segurança pública estadual avalia que o atual modelo compromete a capacidade operacional da corporação e reduz a presença policial justamente em um momento de fortalecimento das organizações criminosas.
“Isso só penaliza a população e dá ainda mais força para que bandos criminosos se criem em Rondônia. É preciso repensar o papel da segurança pública em nosso Estado. PMs são formados para atuarem no ostensivo, no primeiro contato com marginais. O que está ocorrendo é uma anomalia e quem perde é a população”, afirmou.
O cenário reacende o debate sobre a necessidade de recomposição do efetivo da Polícia Militar, realização de novos concursos públicos e revisão da política de cessão de militares para funções administrativas, diante do crescimento da violência e da maior atuação das facções criminosas em Rondônia.
*Com informações do Rondoniaovivo.



