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Rondônia registra quase 5 mil ações ambientais em três anos, aponta levantamento

Dados revelam forte concentração de processos ligados ao desmatamento, queimadas e degradação da vegetação nativa no estado

Foto: Magnific – Reprodução via Criativos PR

Da redação TVC Amazônia*

Mesmo com o avanço das discussões sobre sustentabilidade e a criação do marco regulatório do mercado de carbono no Brasil, Rondônia continua entre os estados com maior volume de judicialização ambiental do país.

Levantamento divulgado pela plataforma jurídica Escavador aponta que foram registrados 4.843 processos relacionados a crimes ambientais entre 2023 e os primeiros meses de 2026.

A maior parte das ações está relacionada a crimes contra a flora. Segundo o estudo, 3.922 processos envolvem desmatamento, queimadas, supressão irregular de vegetação nativa e exploração ilegal de recursos florestais. Com esse número, Rondônia ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.

Além das infrações contra a vegetação, o estado contabilizou 673 processos ligados à poluição ambiental, incluindo casos de contaminação de recursos hídricos e descarte irregular de resíduos. Outros 248 procedimentos envolvem crimes contra a fauna, como caça, pesca predatória e tráfico de animais silvestres.

Os números reforçam a pressão ambiental enfrentada por Rondônia, estado que concentra parte importante da expansão agropecuária da Amazônia Legal e que historicamente convive com conflitos relacionados ao uso da terra e à exploração de recursos naturais.

Crescimento nacional

No cenário brasileiro, os processos relacionados especificamente à poluição ambiental apresentaram crescimento expressivo. De acordo com o levantamento, houve aumento de 66% entre 2024 e 2025, passando de cerca de 9,8 mil para mais de 18 mil ações em todo o país.

Para a coordenadora jurídica da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, os dados demonstram que ainda existe uma distância significativa entre os compromissos ambientais assumidos pelo país e a realidade observada nos tribunais.

“O mercado de carbono representa um avanço importante na agenda climática, mas os desafios ambientais vão além da emissão de gases de efeito estufa. O aumento das ações judiciais mostra que o cumprimento da legislação ambiental ainda enfrenta obstáculos em diversos setores econômicos”, avalia.

Embora os registros nacionais de crimes contra a flora tenham apresentado leve redução nos primeiros meses de 2026, especialistas alertam que a pressão sobre os biomas brasileiros permanece elevada.

A combinação entre expansão econômica, exploração irregular de recursos naturais e ocupação desordenada continua sendo apontada como um dos principais fatores para a manutenção dos índices de degradação ambiental.

*Com informações do Rondoniaovivo.

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