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Crime organizado já é percebido em 41% dos bairros brasileiros, revela pesquisa

Expansão das facções pelo interior do país impulsionou avanço da presença criminosa fora dos grandes centros

Foto: Reprodução da internet/Google

Da redação TVC Amazônia*

O avanço do crime organizado no Brasil deixou de ser uma realidade concentrada apenas nas grandes cidades e passou a integrar o cotidiano de milhões de brasileiros em diferentes regiões do país.

Pesquisa divulgada no último fim de semana pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, aponta que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam perceber a presença de facções criminosas nos bairros onde vivem.

Na prática, o dado representa cerca de 68,7 milhões de pessoas convivendo diariamente com a atuação de organizações criminosas em suas comunidades.

O levantamento também mostra que a presença das facções já se espalhou por diferentes territórios. Nas capitais, esse índice chega a 55%. Nas regiões metropolitanas, é de 46%. Já no interior, alcança 34,1%, indicando que o crime organizado avançou de forma significativa para além dos grandes centros urbanos.

Segundo o estudo, esse processo de interiorização foi impulsionado principalmente pela expansão de grupos como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, que nasceram em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, mas hoje já atuam em outros 25 estados brasileiros, utilizando cidades do interior como corredores logísticos, territórios de influência e áreas de disputa.

A percepção da população sobre essa presença também chama atenção. Apenas 9% dos entrevistados consideram que a atuação do crime organizado é “nada visível”. Outros 43,4% a classificam como “pouco visível”, 21,1% como “visível” e 25,3% como “muito visível”.

O impacto dessa realidade também aparece na mudança de hábitos dos brasileiros:

– 81% dizem ter medo de serem atingidos em confrontos armados;

– 74,9% evitam frequentar determinados locais;

– 71,1% temem que familiares sejam aliciados pelo tráfico;

– 65,2% evitam sair em certos horários;

– 64,4% têm receio de denunciar crimes por medo de represálias;

– 59,5% evitam falar sobre política.

O estudo também identificou sinais de controle econômico exercido por facções. Entre os entrevistados, 12,5% afirmaram ter sido obrigados a contratar serviços indicados por grupos criminosos, enquanto 9,4% disseram ter sido pressionados a comprar produtos ou marcas determinadas por essas organizações.

Outro dado considerado preocupante é a percepção sobre o poder dessas facções. Para 34,9% dos entrevistados, o crime organizado exerce “muita influência” na região onde vivem. Outros 26,5% apontam influência moderada. Juntos, os índices somam 61,4%, o equivalente a aproximadamente 42,2 milhões de pessoas.

O relatório conclui que o principal efeito da presença das facções não se resume à violência explícita, mas à consolidação de um ambiente permanente de medo, no qual a população adapta comportamentos e passa a conviver sob uma lógica de intimidação e controle social.

*Com informações do Rondoniaovivo.

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