Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona – Marcos Rocha: pior governador que Rondônia já teve
Chefe do Executivo estadual, que nunca comandou um batalhão enquanto coronel, amarga números ruins e baixa popularidade

Insatisfação
Marcos Rocha (PSD) talvez esteja enfrentando hoje um dos tipos mais duros de desgaste político: o colapso da própria narrativa que construiu ao longo dos últimos anos. Porque governos nem sempre terminam quando acaba o mandato. Alguns acabam antes, politicamente falando. Perdem força, autoridade e, principalmente, credibilidade. E é justamente essa sensação que paira sobre Rondônia.
Insatisfação 2
O governador que chegou prometendo ordem (por ser “amigo” de Bolsonaro), agora parece cercado pela desordem política. O gestor que vendeu a imagem de firmeza administrativa, termina atolado em crises internas. E o líder que se apresentou como símbolo de moralidade vê o próprio governo consumido por suspeitas, disputas palacianas e um desgaste público cada vez mais difícil de disfarçar.
Insatisfação 3
O problema de Marcos Rocha talvez nunca tenha sido apenas administrativo. Sempre foi político. Rocha governou Rondônia como quem acreditava que marketing substitui entrega.
Insatisfação 4
Durante anos, o governo investiu em vídeos bem produzidos, campanhas institucionais milionárias e discursos cuidadosamente ensaiados, enquanto a realidade seguia batendo à porta: nos corredores dos hospitais, nas estradas esburacadas e na insegurança que insiste em não tirar férias.
Enganação
O Heuro, aliás, virou quase um monumento simbólico dessa lógica: anúncio grandioso, propaganda em volume máximo e uma entrega que insiste em não conversar com a expectativa criada. Essa foi a motivação para que os eleitores lhe deram um segundo mandato, com frustração igual ao primeiro: nenhuma das grandes promessas realizadas.
Disputa de poder
Enquanto isso, o núcleo político do governo parecia cada vez menos preocupado com resultados e cada vez mais ocupado com aquilo que Brasília conhece bem: disputa interna, controle de poder e sobrevivência política. Foi aí que o governo começou a apodrecer por dentro.
Disputa de poder 2
A ascensão de Júnior Gonçalves dentro do Palácio Rio Madeira transformou a estrutura do governo em algo perigosamente concentrado. Secretários, deputados e aliados passaram anos descrevendo os bastidores como um ambiente controlado por um grupo reduzido, acumulando influência, decisões e poder político.
Disputa de poder 3
O problema de governos excessivamente fechados é que eles quase sempre implodem do mesmo jeito: pela arrogância. E a conta chegou. A crise entre Marcos Rocha, Sérgio Gonçalves e Júnior Gonçalves não foi apenas um desentendimento político. Foi a demolição pública da própria base de sustentação do governo.
Disputa de poder 4
O que antes era vendido como unidade virou guerra por espaço, exonerações, isolamento e uma silenciosa disputa pelo controle do futuro político de Rondônia. A gestão começou a parecer menos um governo e mais uma novela de bastidor. Só que sem intervalo comercial. E, enquanto o palácio pegava fogo por dentro, a população assistia…

Perdas e danos
Assistia hospitais continuarem pressionados. Assistia promessas envelhecerem mal. Assistia escândalos ocuparem mais espaço que entregas. Assistia o discurso moralista do início do mandato ser engolido por suspeitas, denúncias e questionamentos sobre contratos e relações internas. Além de muitas viagens para o exterior e pouca presença no estado.
Perdas e danos 2
Talvez o símbolo mais cruel desse desgaste tenha sido o abandono do projeto de disputar o Senado. Não por falta de votos. Mas por falta de confiança no próprio vice. É difícil imaginar algo mais constrangedor: um governador reeleito, com a máquina pública nas mãos, recuando porque o maior risco político passou a morar dentro do próprio governo.
Perdas e danos 3
Isso não é demonstração de força. É sinal de colapso. E talvez a história seja ainda mais dura porque Marcos Rocha teve tudo para construir um legado relevante. Tinha apoio político, alinhamento nacional, estrutura administrativa e tempo. Mas terminou engolido exatamente pelo sistema de poder que prometeu combater.
Perdas e danos 4
Hoje, o governo “de Rocha” parece um projeto cansado, isolado e sem vitalidade política. Que perdeu conexão com as ruas (ou que nunca teve), perdeu capacidade de mobilizar e, em muitos momentos, parece ter perdido autoridade até dentro da própria casa. No fim, talvez Rondônia perceba que o maior problema não foi apenas o que ele deixou de fazer.
Perdas e danos 5
Foi o que prometeu representar. Porque o governador que chegou embalado pela esperança parece caminhar para o fim do mandato deixando como herança desgaste, divisão e uma incômoda sensação de frustração política. E essa, convenhamos, costuma ser a pior derrota de todas.
Lágrimas e decepção
Marcos Rocha confiava ainda em uma reviravolta que o fizesse mudar de ideia. Encomendou três pesquisas quantitativas e qualitativas. Todas as três trouxeram o resultado que ele não queria: sempre amargando o quarto ou quinto lugar em intenções de voto. E isso o minou por dentro e o abateu por fora.
Lágrimas e decepção 2
Na segunda pesquisa, o desânimo bateu forte. Segundo pessoas bem próximas a ele, ao ler os resultados, chorou profundamente. Um misto de cansaço e decepção, por não ter atingido o sonho de muitos colegas políticos: sair bem aprovado do Executivo, direto para um “descanso” no Senado Federal. A conta chegou com juros e correção monetária.
Queda de braço
O cenário político do governador parece daqueles roteiros em que o protagonista descobre, tarde demais, que o maior problema não estava na oposição: estava sentado ao lado dele. Entre um racha interno cada vez mais escancarado com o vice e uma queda perceptível na aprovação popular, o governo entrou definitivamente em modo “administração de danos”.
Queda de braço 2
Em maio de 2026, a crise ganhou novos capítulos. Vieram derrotas judiciais de aliados internos, o rompimento se consolidou e o que antes era tratado como divergência política virou praticamente uma DR pública entre antigos parceiros de chapa.
Índices
O desgaste já aparece até nos rankings nacionais. Em levantamento da AtlasIntel divulgado no fim de 2025, Rocha apareceu na 22ª posição entre os 27 governadores do país. Não é exatamente a liderança que se sonha quando se vende eficiência administrativa. Para muitos setores da imprensa e da sociedade, a colocação serviu como um banho de realidade.

Rompimento
O clima com Sérgio Gonçalves deixou de ser desconfortável e passou para o estágio “não sentam mais na mesma mesa”. Após o vice demonstrar interesse em disputar o governo em 2026, Rocha respondeu como manda o manual das crises palacianas: exonerações em série. Assessores próximos foram dispensados, estruturas esvaziadas e o recado foi dado em alto e bom som: aqui não tem sucessão amigável.
Vitória judicial, derrota política
O Supremo Tribunal Federal manteve as exonerações, garantindo a Marcos Rocha uma vitória jurídica importante. Mas politicamente? A imagem que ficou foi a de um governo em guerra consigo mesmo. Sérgio Gonçalves, dizem nos bastidores, ficou reduzido a uma sala e alguns móveis decorativos. Talvez o símbolo mais literal de isolamento político recente em Rondônia.
Adeus Senado
Ao decidir permanecer no cargo até 1º de janeiro de 2027 e desistir da disputa ao Senado, Rocha enterrou de uma vez os planos de quem contava com sua saída para ascender ao poder. Oficialmente, foi “compromisso com Rondônia”. Nos bastidores, muitos traduziram como: “melhor eu ficar do que entregar a chave para o adversário interno”.
Mais do mesmo
Eleito como outsider, embalado pelo discurso antipolítica e pelo apoio bolsonarista, Marcos Rocha hoje enfrenta um dilema curioso: tornou-se exatamente aquilo que prometeu combater. Agora precisa administrar acusações de perseguição política feitas não pela oposição, mas por aliados de longa data. A ironia, como sempre, não decepciona.
Vergonha pública
Como se não bastasse a turbulência interna, o governador resolveu entrar em outra disputa que talvez devesse ter evitado: a eleição da AROM. O resultado foi uma derrota para o prefeito Marcélio Rodrigues (ou Brasileiro), do PL, que venceu e consolidou apoio de dezenas de prefeitos do interior, especialmente do Cone Sul.
Vergonha pública 2
Traduzindo: Marcos Rocha se meteu onde não precisava e saiu menor do que entrou. Politicamente, passou vergonha. A vitória de Marcélio fortalece diretamente o projeto de Marcos Rogério ao governo, já que ambos compartilham partido e alinhamento político.
Guerra
Do outro lado, Rocha deverá apoiar Adailton Fúria, usando toda a estrutura que ainda controla no governo estadual. O problema é que máquina pública ajuda, mas não faz milagre, especialmente quando boa parte dos prefeitos já parece ter escolhido outro rumo. E a maioria da rejeição está com ele, governador.
Guerra 2
No fim, o governo Marcos Rocha vai ficando com aquela aparência de projeto cansado: ainda em pé, mas claramente sem o mesmo brilho, sem a mesma coesão e, sobretudo, sem a mesma autoridade. E para um político que chegou prometendo comando absoluto, terminar administrando incêndios internos talvez seja a mais amarga das ironias.
Guerra 3
A prova de que para mobilizar, para um evento em Porto Velho esta semana com Fúria, onde as presenças mais vistas eram de comissionados do governo na plateia. Sem adesão orgânica, na base do “vai ou está exonerado” (como sempre aconteceu nos últimos oito anos). E o ex-prefeito de Cacoal sabe bem que Marcos Rocha, no seu palanque é uma âncora: o faz perder votos pela baixa popularidade. Mas isso é tema para uma próxima coluna…

Fim de festa
Para quem foi eleito dizendo que “era amigo de Bolsonaro” e de um partido “sem corrupção”, como era o finado PSL (Partido Social Liberal), e depois, no segundo mandato, dizendo que o “Heuro era questão de honra”, Marcos Rocha não vai deixar saudades. E nenhuma obra que as pessoas olhem orgulhosas: essa foi feita no governo dele, igual a rodoviária de Porto Velho ou a ponte sobre o Rio Madeira.
Fim de festa 2
O pseudo-coronel, que nunca comandou um batalhão, companhia ou pelotão, vai ficar marcado por vestir farda e não ter dado nenhum tiro contra a criminalidade. Ou por apenas ir se enfiando na política e conseguindo cargos atrás de cargos. Seja na Semed em Porto Velho ou na Sejus (do então governador Confúcio). Além de inúmeras viagens e milhões de reais em diárias para “levar o tambaqui de Rondônia” para o mundo. Au revoir, messieur Rocha!
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas no mês de maio por Fábio Vidotti (no Ouro Preto Online) e Coluna da Hora (por Géri Anderson).
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