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EXCLUSIVO – UTI Neonatal do Hospital de Base tem mortalidade comparável a zonas de guerra

Em um mês foram registrados pela própria Sesau e pela direção da unidade 26 mortes

Foto: Daiane Mendonça/Secom – Governo de Rondônia

Por Felipe Corona – TVC Amazônia

Um boletim interno da própria Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) e do Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro revela um cenário alarmante na UTI neonatal do Hospital de Base: em junho deste ano houve 19 mortes infantis (0 a 30 dias e até 2 anos) e 7 fetais registrados recentemente, somando 26 óbitos.

Foto: Reprodução de tela

Isso representa quase 55% de todas as mortes hospitalares, evidenciando um peso desproporcional da mortalidade perinatal e neonatal no hospital.

Estrutura precária, risco diário

Segundo apuração da TVC Amazônia com funcionários que estão sobrecarregados com a rotina de trabalho e que pediram para não ter as identidades divulgadas, a unidade dispõe de apenas dois aparelhos de CPAP em funcionamento para 26 leitos.

Foto: Daiane Mendonça/Secom – Governo de Rondônia

Ainda há grave carência de incubadoras, ventiladores, bombas de infusão e monitores multiparamétricos. Essa insuficiência compromete o atendimento de emergências como apneia, choque séptico e crises de dessaturação.

Esses profissionais da saúde relatam que a UTI está sucateada e que boa parte das mortes ocorreu justamente nesse setor, confirmando que os pacientes eram graves e dependiam de suporte avançado indisponível.

O que é CPAP?

A sigla CPAP significa Continuous Positive Airway Pressure (em português, Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). Trata-se de um dispositivo médico, também conhecido como aparelho CPAP, que fornece um fluxo constante de ar a uma pressão definida, através de uma máscara, para manter as vias aéreas abertas durante o sono.

Aparelho CPAP sendo usado em recém-nascido – Foto: Site interfisio.com.br

É um tratamento comum para a apneia obstrutiva do sono, prevenindo as interrupções na respiração e melhorando a qualidade do sono.

Mortalidade em contextos normais e de guerra

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2022, a mortalidade neonatal é de cerca de 8 mortes por mil nascimentos.

O Iraque em guerra em 1991, durante a Guerra do Golfo chegou a quase 100 óbitos por mil nascimentos devido ao colapso do sistema de saúde.

Enquanto isso, o Hospital de Base em Porto Velho, embora não haja taxa calculada, (falta o número total de nascidos atendidos), o volume absoluto de mortes e sua proporção entre os óbitos hospitalares sugerem uma mortalidade desproporcional, incompatível com padrões nacionais.

Tragédia humanitária dentro de um hospital

A comparação revela o paradoxo: em vez de segurança hospitalar, famílias enfrentam um risco semelhante ao de zonas em conflito.

A ausência de recursos básicos em um centro de referência público produz uma tragédia silenciosa, com impacto emocional devastador para famílias e profissionais.

Respostas

Depois da publicação desta reportagem, a TVC Amazônia entrou em contato com a assessoria de comunicação da Sesau para saber o que está sendo feito para diminuir ou acabar com esse alto número de mortes de bebês na UTI do Hospital de Base. Assim que recebermos os esclarecimentos, publicaremos neste espaço.

As famílias que se sentirem atingidas e que querem relatar o que aconteceu com seus recém-nascidos que morreram, podem entrar em contato conosco no e-mail fcorona20@hotmail.com.

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